Esportes
Jonh Textor volta à liderança de empresa que comanda Botafogo e outros clubes
Conflito por €425 milhões pode redefinir comando de Botafogo
A disputa societária em torno da Eagle Football Holdings ganhou novos capítulos com a formalização do retorno de John Textor ao cargo de diretor da companhia, conforme registro na Companies House, órgão responsável pelos registros empresariais no Reino Unido, ampliando a percepção de instabilidade no grupo que controla clubes como Botafogo, Olympique Lyonnais e RWDM Brussels, em meio a debates sobre governança, financiamento de aquisições, atuação de fundos de investimento no futebol e possíveis repercussões esportivas.
O que está em disputa no conselho da Eagle Football Holdings
No centro da crise está o controle do conselho de administração da Eagle Bidco, empresa vinculada à Eagle Football que integra a estrutura acionária do Olympique Lyonnais e de outros ativos do grupo. Textor sustenta que a tentativa de afastá-lo teria sido conduzida sem base jurídica consistente e em desacordo com acordos de acionistas em vigor, intensificando o clima de incerteza entre investidores, torcedores e parceiros comerciais.
Um dos pontos mais delicados é a alegação de existência de um “Acordo Paralelo” entre a investidora Sra. Kang e o fundo Ares, que, segundo o empresário, buscaria redesenhar a governança do Eagle Football Group, controlador do clube francês. Na versão apresentada por Textor, esse acordo não teria sido devidamente informado às autoridades de mercado, motivando a notificação da Autorité des Marchés Financiers (AMF) e levantando dúvidas sobre transparência e risco de sanções regulatórias.

Como o financiamento da compra do Lyon influencia o conflito societário
Para viabilizar a aquisição do Olympique Lyonnais em 2022, a Eagle Football recorreu a um empréstimo expressivo concedido pelo fundo Ares Management, estimado em cerca de 425 milhões de euros. Informações de bastidores indicam que apenas parte desse valor foi quitada até o momento, aumentando a pressão por novas garantias, revisões contratuais e até por mudanças no comando da holding.
Operações desse tipo são comuns em grandes transações esportivas, em que holdings assumem dívidas relevantes para comprar clubes e dependem de receitas futuras para honrar compromissos. Quando o ritmo de pagamento se afasta do previsto, credores costumam exigir ajustes de governança, venda de ativos e mecanismos adicionais de proteção para reduzir o risco de inadimplência.
Quais cenários podem levar à perda de controle dos clubes da Eagle Football
Especialistas em mercado esportivo apontam que disputas dessa natureza tendem a seguir caminhos previsíveis, de acordo com o nível de endividamento e a dinâmica entre acionistas e credores. Antes de medidas mais extremas, fundos como a Ares costumam buscar renegociação de prazos, reforço de garantias e reestruturações de governança para preservar valor.
Nesse contexto, alguns cenários são considerados mais prováveis por analistas e ajudam a ilustrar como a situação pode evoluir para rearranjos internos ou mesmo mudanças de controle, afetando diretamente a posição de Textor e o futuro dos clubes do grupo. Entre as possibilidades frequentemente citadas, destacam-se:
- Recomposição do conselho de administração, com divisão de poder mais equilibrada entre Textor e Ares;
- Revisão dos acordos de acionistas que tratam do comando de Lyon, Botafogo e RWDM Brussels;
- Venda parcial ou total das participações em um ou mais clubes, caso a dívida não seja equacionada;
- Atuação mais rigorosa de reguladores, como a AMF na França, se forem confirmadas falhas de transparência.
Confira a publicação do john_textor, no Instagram, com a mensagem “O BOSS APROVOU! 🎒💥”, destacando presença de John Textor no Nilton Santos, lançamento da nova camisa #GloriosaCamisa e o foco em promover o uniforme para a torcida:
Quais são os principais riscos para os clubes da Eagle Football Holdings
Enquanto o conflito societário se desenrola, os clubes sob o guarda-chuva da Eagle Football Holdings permanecem sob forte escrutínio de torcedores, autoridades regulatórias e agentes do mercado. No futebol francês, a DNCG, órgão responsável pelo controle financeiro das equipes, já havia manifestado preocupação com operações como o empréstimo contratado em nome do Botafogo junto ao fundo Hutton Capital.
Para quem acompanha o caso, alguns fatores devem ser monitorados de perto nos próximos meses, como a estabilidade regulatória, a geração de caixa, o nível de endividamento e a definição clara da governança esportiva e corporativa. A situação evidencia como estruturas empresariais complexas, apoiadas em financiamento de grandes fundos, podem afetar o desempenho em campo e a confiança de longo prazo em projetos de propriedade multi-clube.