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Jornal “Olé” elogia “Dinizismo” e chama atenção do River Plate 

Artigo do jornal elogia o time do Fluminense

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Foto: Twitter/Diario Olé/reprodução

O jornal Olé principal da Argentina no seu artigo sobre o jogo entre o River Plate x Fluminense, pela Libertadores, no Maracanã, citou o “Dinizismo” estilo de jogo atribuído ao técnico Fernando Diniz técnico do Fluminense. 

O artigo assinado pelo jornalista Vicente Muglia chama a atenção para os perigos que o River Plate vai encontrar no Maracanã. Com vídeos que mostram a movimentação do ataque do Fluminense que é chamado por ele de “ataque funcional”, o autor aponta o “dinizismo” como uma ruptura e o classifica como o famoso caos organizado.  

Muglia diz que a formação tática é o 4.2.3.1 e destacou Ganso, apontado como o jogador mais talentoso do time, como a engrenagem do sistema “Um 10 de antigamente. Meia clássico que se move por toda a frente do ataque sem uma posição fixa. E afirma que a convicção de Diniz e o convencimento da idéia pelos jogadores fazem do Fluminense uma equipe difícil para qualquer um”. 

Veja o artigo na íntegra 

“Nos últimos 15 anos, o Jogo de Posição viveu um cenário hegemônico mundial em termos de organização ofensiva. Desde o aparecimento do Barcelona de Pep Guardiola até agora, esse modelo de jogo foi copiado em várias ligas, até mesmo em algumas com culturas futebolísticas historicamente muito diferentes (Alemanha, Itália, Inglaterra…). No entanto, nos últimos tempos foram surgindo equipes que também desenvolvem o seu ataque tendo a posse como premissa, mas sem as orientações básicas do jogo posicional. O Ajax de Ten Hag, o Real Madrid de Ancelotti, o Flamengo de Jorge Jesus e a seleção argentina de Lionel Scaloni são alguns exemplos. Porém, há outro time que rompeu totalmente o molde e se afastou desse paradigma estratégico: o Fluminense e Fernando Diniz. O rival do River nesta terça-feira pela Copa Libertadores é a expressão mais extrema do chamado ataque funcional, método que também vem utilizando Martín Demichelis. A organização do ataque não passa pela ocupação racional dos espaços, e sim pela ideia de se ordenar em relação ao local onde está a bola. O famoso caos organizado. 

A intenção de Diniz é resgatar velhos conceitos do futebol brasileiro. Admirador da fabulosa seleção de Telê Santana que jogou a Copa do Mundo da Espanha em 1982 e que integrou Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo, o técnico do Fluzão se fincou nas raízes do Jogo Bonito e armou um time que se junta para jogar. Nada de rigidez ou obediência tática que limita o improviso do jogador. Diferente do Jogo de Posição, em seu plano não existe o conceito de que a bola vai ao jogador, e sim o contrário: o jogador que vai até a bola. Então, este convencimento de apostar na capacidade criativa individual se traduz em um time que junta jogadores em uma determinada zona, que é onde está a bola, para potencializar o coletivo. 

No seu ataque funcional ocorrem situações que não costumam ser vistas no futebol de elite. Por exemplo, que o suposto ponta-direita cruze todo o campo e acabe atacando… perto da ponta esquerda! E quem ocupa o seu lugar na outra banda? Ninguém. Não há trocas posicionais. Não se conquistam os espaços primeiro para depois jogar, e sim procura-se a superioridade numérica na zona da bola para depois progredir e conquistar espaços. Reunir passes com o objetivo de gerar uma relação socioafetiva entre seus jogadores. Nesse jogo de aproximação (termo também utilizado para falar de ataque funcional) se promovem os apoios, as rupturas e arrancadas para progredir no campo. Se o futebol é tempo e espaço, pode-se dizer que no Jogo de Posição a prioridade é o espaço, e no ataque funcional, o tempo. 

O modelo tático habitual é o 4-2-3-1. À frente do “duplo cinco” habitualmente formado por André e Lima, aparece o colombiano Jhon Arias que começa pela direita, Keno pela esquerda e Ganso, o seu jogador mais talentoso, que é um 10 de antigamente. Meia clássico que se move por toda a frente de ataque sem uma posição fixa. Na frente deles, como referência de área e finalizador, o goleador argentino Germán Cano. O 9 é o que tem menos mobilidade. O resto quebra o sistema o tempo todo em função do lugar em que o jogo está fluindo. 

Esta relação em torno da bola faz com que, em caso de perda de bola, a equipe tenha um bom número de jogadores capazes de saltar rapidamente para a pressão e tentar recuperar a bola sem necessidade de se retrair. O lado oposto está vazio, mas o lateral desse setor se fecha e vigia. Se houver uma perda, aumenta a pressão fechando e estreitando os espaços. Se o time avança e o rival se inclina para aquela área, ele se solta e ataca o espaço da zona desguarnecida. Para atacar o Fluminense a chave é que o time adversário, ao recuperar a posse de bola, busque rapidamente inverter o setor para escapar da marcação imediato e explorar o seu lado desguarnecido. 

Como toda equipe que tenta ser protagonista a partir da posse de bola, o Fluzão gosta de construir desde lá de trás. O plano é viajar juntos. A convicção de Diniz e o convencimento da ideia pelos jogadores fazem do Fluminense  uma equipe difícil para qualquer um. Radical, funcional, com puro DNA brasileiro. Diante do River, manterá seu estilo ou vai mudar a ideia? Na final do Campeonato Carioca contra o Flamengo, no jogo de ida, Diniz optou por um ataque mais posicional e não deu certo: perdeu por 2 a 0. Na revanche voltou ao seu plano habitual, mais funcional, e goleou por 4 a 1 para se sagrar campeão”. 

 Mas também aponta um caminho para o River diante do modelo de jogo que aproxima os jogadores da bola: “Um time que junta jogadores em uma determinada zona, que é onde está a bola, para potencializar o coletivo. (…) Para atacar o Fluminense a chave é que o time adversário, ao recuperar a posse de bola, busque rapidamente inverter o setor para escapar da marcação imediato e explorar o seu lado desguarnecido”. 

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