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Montenegro defende mudança no calendário do futebol brasileiro pós-pandemia

Dirigente afirma que período seria ideal para padronizar o futebol no Brasil ao disputado na Europa

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Foto: Vitor Silva/Botafogo

Depois de ser intensamente afetado pela pandemia do novo coronavírus, o futebol começa a voltar. Na Europa o retorno é gradativo. Neste fim de semana, a bola voltou a rolar pelo Campeonato Alemão com portões fechados. Outros países como Espanha e Turquia já estudam maneiras de flexibilização dos treinamentos.

O panorama ainda é diferente no Brasil. O país vive com a incerteza de quando os campeonatos voltarão a ser disputados. Ex-presidente e membro do comitê executivo de futebol do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro disse que o momento é perfeito para a mudança do calendário no futebol brasileiro. Ele acredita que o Brasil deveria ter o calendário padronizado ao modelo europeu.

“O Brasil poderia aproveitar essa oportunidade especificamente no futebol e mudar o calendário todo. O Brasil talvez seja um dos pouquíssimos países que não tenha o calendário FIFA, europeu e norte-americano. Até a Argentina usa. Eu não entendo porque a gente não joga o Campeonato Brasileiro de setembro a maio. Seria inserida a Copa do Brasil e a Libertadores no meio desse período. Segundo, o calendário estaria dentro das regras de datas FIFA. Quando a Seleção Brasileira jogasse pararia tudo como param na Europa. Os clubes não seriam mais prejudicados. Estamos acostumados a ver um clube indo bem, de repente tem um jogo importante com a Seleção Brasileira e o técnico tira um ou dois jogadores que atrapalha muito o clube. Nós estaríamos também dentro das janelas de transferências de venda de jogadores para a Europa. Isso protegeria os times, que às vezes estão bem, mas vem uma equipe do exterior com um calendário desencontrado e tira o atleta. Na minha opinião era a chance de acertar isso também. A gente voltaria a treinar com calma em junho, terminariam em julho os Estaduais e iniciaria o Brasileiro que seria disputado até maio” opinou Montenegro, que não vê a questão climática como empecilho. Os Estaduais são realizados sob forte calor no início do ano, segundo o dirigente.

Foto: Vitor Silva/Botafogo

“Alguns críticos dizem que o Brasil é diferente porque em janeiro, fevereiro e março é muito calor. Acho engraçado isso! Janeiro, fevereiro e março são jogados os Estaduais. Os mesmos jogadores que jogam o Estadual atuam nas outras competições até o resto do ano. Teria dois ou três meses de calor no Brasileiro, qual é o problema? No Brasileiro hoje temos jogos em Salvador, Recife, Fortaleza e, mesmo em junho e julho, esses jogos são disputados com 31, 32 ou 34 graus. Nesse mesmo período existem jogos em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre com temperatura de zero, dois ou três graus. O Brasil é um continente, não dá para ficar falando em clima. Se podemos tirar poucas coisas de lição da pandemia, uma é essa de mudar o calendário do futebol brasileiro” argumentou.

Montenegro afirmou que o mundo vai sofrer muitas mudanças financeiras e comportamentais, mas ninguém tem como prever como vai ficar o futebol.

“Não dá ainda para saber o que os clubes vão perder em relação às receitas. Vamos ter de quatro a cinco meses parados. Estamos tendo problemas com a televisão, que também está tendo outros problemas. Deixou de pagar o Estadual e a primeira parcela do Brasileiro. Isso vai virar uma bola de neve. Alguns clubes diminuíram salários e outros não. Impostos foram postergados. No fundo vai ser um ano difícil de sobrevivência para todo mundo. No futebol em específico, acho que os jogos na TV aberta e fechada, no rádio e por internet vão ter um público maior. Eu penso que até ser descoberto o uso da vacina vai ser difícil aceitar multidões ou grandes públicos nos estádios. Se jogarmos com portões fechados durante um tempo vai haver um aumento da audiência na transmissão. O futebol pode ter problemas com patrocinadores no início, mesmo com a audiência aumentada, em função desses patrocinadores terem gasto muito dinheiro na época da pandemia sem vender. O sócio-torcedor foi afetado na falta de jogos, mas é alguma coisa que deve voltar com vigor” explicou Montenegro.

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