Esportes
O que é o PIF, o fundo soberano saudita que está mudando o futebol
Conheça o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, suas polêmicas e como ele está mudando o cenário do esporte mundial com cifras bilionárias.
A chegada de estrelas como Cristiano Ronaldo ao futebol saudita joga luz sobre a força que controla não apenas seu time, o Al-Nassr, mas uma fatia crescente do esporte mundial: o Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita.
Trata-se do fundo soberano do país, uma ferramenta financeira colossal usada para investir as receitas do petróleo em diversos setores, com o objetivo de diversificar a economia saudita e reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis. Atualmente posicionado entre os maiores fundos do mundo, seus ativos são estimados em mais de US$ 1,15 trilhão (em dados de 2026), garantindo um poder de fogo financeiro que poucos conseguem igualar.
Nesta semana, Cristiano Ronaldo se recusa a jogar pelo Al-Nassr como forma de protesto contra o que considera desinvestimento do clube e do PIF da Arábia Saudita, especialmente em comparação ao rival Al-Hilal, que recebe mais recursos, poder político e contratações de peso.
Insatisfeito com a falta de reforços pedidos pelo técnico Jorge Jesus e com decisões internas que enfraquecem o projeto esportivo, incluindo o congelamento de poderes de dirigentes próximos a ele, CR7 usa essa “greve” para pressionar por condições mais competitivas.
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Seus investimentos abrangem desde tecnologia, com participações em empresas como Uber e Lucid Motors, até entretenimento e turismo. Nos últimos anos, porém, o esporte se tornou um dos pilares mais visíveis e agressivos de sua estratégia de expansão global.
A estratégia no esporte
A entrada do fundo no esporte não é discreta. O movimento mais emblemático foi a compra do Newcastle United, clube da Premier League inglesa, em 2021. A aquisição gerou polêmica, mas marcou o início de uma ofensiva para consolidar a Arábia Saudita como uma potência esportiva.

Al Nassr – Créditos: depositphotos.com / mrogowski_photography
Logo depois, o PIF financiou a criação do LIV Golf, circuito que atraiu grandes nomes do esporte com prêmios milionários e que, até 2026, segue redefinindo sua relação com o tradicional PGA Tour. A ação de maior impacto, no entanto, ocorreu no próprio futebol saudita. Desde 2023, o fundo mantém o controle acionário dos quatro maiores clubes do país: Al-Nassr (de CR7), Al-Hilal (de Neymar), Al-Ittihad (de Benzema) e Al-Ahli (de Firmino).
Controvérsias e acusações
A principal crítica aos investimentos é a acusação de “sportswashing”. O termo descreve a prática de usar o apelo popular e a imagem positiva do esporte para desviar a atenção de questões problemáticas, como o histórico de violações de direitos humanos do país. A estratégia visa projetar uma imagem de modernidade e abertura para o mundo.
O fundo é presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita, o que torna a separação entre os investimentos e o Estado praticamente impossível. Com um poder financeiro quase ilimitado, o PIF está redesenhando o mapa do esporte global, atraindo estrelas com salários astronômicos e forçando ligas tradicionais a se adaptarem a um novo e poderoso concorrente.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.