Coronavírus

Pandemia faz jogador brasileiro viver há sete meses longe da família na Tailândia; entenda o drama de Victor Cardozo

Zagueiro do BG Pathum United aguarda ansiosamente reencontro com a esposa e o filho, que permanecem no Brasil

Por Vitor Rocha

Foto: Arquivo pessoal

Se não bastasse toda a preocupação e o temor causado pelo novo coronavírus, o zagueiro Victor Cardozo também convive com a dor da distância dos familiares. Desde 2015 atuando no futebol da Tailândia, ele passou as festas de final de ano no Brasil e se apresentou ao novo clube, o BG Pathum United, em janeiro desta temporada. O atleta esperava reencontrar e esposa e o filho no mês de março. O que não estava previsto era o distanciamento causado pela pandemia e a impossibilidade do reencontro com as pessoas que ama por conta do fechamento dos aeroportos e a entrada de estrangeiros no país.

Natural de Sapucaia, interior do Estado do Rio de Janeiro, ele está sete meses aguardando que tudo volte ao normal para poder ter a família unida novamente.

“Não está fácil. São sete meses longe da minha família, da minha esposa, meu filho. É complicado, mas a gente tem que passar por isso. Infelizmente eles não conseguiram vir. Na semana que eles viriam, o aeroporto fechou e espero que estejam logo aqui comigo. Hoje o vírus está controlado. Já são quase dois meses sem registros de pessoas contaminadas. O combate vem sendo um sucesso até aqui”.

Foto: Arquivo Pessoal

Victor chegou em 2015 na Tailândia para atuar no Ubon UMT, onde conseguiu dois acessos consecutivos; da terceira para a primeira divisão. Em 2018 se transferiu para o Chiangrai United, onde conquistou três copas na mesma temporada: a Copa da Tailândia, a Copa da Liga Tailandesa e a Taça dos Campeões da Tailândia. No ano seguinte, atuou pelo PTT Rayong até chegar ao BG Pathum United nesta temporada. Ao todo, já marcou quase 50 vezes e acumula a fama de zagueiro artilheiro no país asiático.

“Posso dizer que é uma carreira de sucesso, mas quero muito mais. (…) Esses números são aqui na Tailândia, mas sempre fazia meus gols aí no Brasil também (risos). Aqui na Tailândia isso aflorou. São quase cinquenta gols, o que, para um zagueiro, é sensacional. É claro que meu trabalho é parar os atacantes, mas é muito bom ter esse extra de ser artilheiro”.

Foto: Arquivo pessoal

Apesar de ser pouco conhecido no futebol carioca, Victor atuou pelo America entre 2010 e 2011 e também no Duque de Caxias em 2014. Pelo Brasil, passou pelo Operário (PR), Campinense (PB), São Bento (SP) e outras equipes. Mesmo com a idolatria e a carreira consolidada na país asiático, o atleta não descarta um retorno ao futebol brasileiro.

“O Brasil é a minha casa, meu país, o lugar que eu amo. Tailândia está em segundo lugar. Estou muito feliz aqui, mas, se tivesse uma proposta boa, voltaria para o Brasil com maior prazer. Tenho meus objetivos aqui, estou consolidado, mas a gente tem sempre que estar atento ao mercado, tanto aqui, como aí.”

Do drama à emoção: o momento mais que especial em 2018:

Foto: Reprodução/Internet

No dia 23 de junho de 2018, o mundo iniciou um período de grande tensão e comoção com o caso de 12 meninos entre 11 e 16 anos, que formavam um time de futebol, mais o treinador, que desapareceram em uma caverna. Eles foram encontrados com vida, mas em uma área de difícil acesso. Por conta das fortes chuvas, partes da caverna ficaram alagadas, impedindo a saída e até mesmo o resgate. Somente no dia 8 de julho, ou seja, quinze dias depois, os primeiros sobreviventes são retirados. No dia 10 de julho, o último sobrevivente é resgatado. Todos com vida. Apenas um oficial da elite da Marinha tailandesa morreu durante o resgate. Mesmo feliz e aliviado com tudo ter dado certo, Victor Cardozo não sabia, mas tinha ainda mais motivo para se emocionar.

“Em 2018 eu estava no clube, na cidade que ocorreu e foi extraordinário. Vou levar pro resto da minha vida. A cidade, o país e o mundo pararam. Cheguei a conhecer dois deles após o incidente e me falaram que eu era o ídolo deles. Já com os olhos cheios de lágrimas eu que afirmei que eles é que eram nossos ídolos. Realmente foi um momento muito complicado, mas felizmente os graças a Deus eles saíram dessa e estão aqui vivendo a vida de ‘superstars'”.

Confira outras respostas de Victor Cardozo:

  • Psicológico do atleta durante a paralisação:

“O jogo faz muita falta para um atleta de alto rendimento. Eu entendo a situação que estamos passando, tem muita gente pior que um atleta de futebol. Então temos que superar isso, ter paciência para entender o que acontece no mundo, as pessoas ao redor e as que estão na linha de frente no combate ao vírus. Então o atleta tem que trabalhar a cabeça para superar isso”.

  • Nível do futebol tailandês atualmente:

“O futebol tailandês evoluiu muito. Hoje eu colocaria como o quarto melhor local da Ásia para se jogar futebol. Estão investindo no mercado local, como já foi feito também há dois anos. E posso te afirmar que muitos times brasileiros que passariam sufoco com alguns times aqui da Tailândia.

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