Esportes

Presidente da federação de futebol do Haiti é acusado de abuso sexual de menores, diz jornal inglês

Nos últimos cinco anos, Ives Jean-Bart teria coagido jogadoras de futebol a fazer sexo com ele no centro de treinamento

Por Bruno Almeida

(Foto: Reprodução)

O presidente da Federação de Futebol do Haiti (FHF), Yves Jean-Bart, foi acusado de abuso sexual. De acordo com uma matéria do jornal inglês “The Guardian”, nos últimos 5 anos, o mandatário teria coagido jogadoras menores de idade a fazer sexo com ele no centro de treinamento da FHF, em Croix-des-Bouquets. O dirigente nega as acusações.

As denúncias foram feitas ao “Guardian” por diversas fontes que atuam no centro de treinamento da federação do Haiti, incluindo possíveis vítimas e os respectivos familiares. Conhecido como “Dadou”, o presidente da federação haitiana está no cargo desde 2000. De acordo com um dos depoimentos, o dirigente ameaça despejar as mulheres que estão alojadas no centro de treinamento, caso não faça sexo com ele.

“Há uma mulher que trabalha lá que põe pressão para as garotas terem sexo com Dadou. Ele vê uma menina bonita e manda essa mulher falar com ela que será despejada do centro. Aí essa senhora diz que a única maneira de resolver o problema é falar com Dadou. Nesse momento, a jovem garota não tem outra opção que não seja lidar com o abuso sexual”, contou uma das alegadas vítimas.

De acordo com as fontes do jornal inglês no Haiti, várias jogadoras que hoje não estão mais no centro de treinamento foram coagidas por Jean-Bart. Segundo o depoimento de uma ex-atleta, uma delas, inclusive, foi forçada a fazer um aborto.

“Ela foi forçada a não falar. Uma das nossas melhores jovens jogadoras perdeu a sua virgindade para Dadou, quando ela tinha 17 anos em 2018 e teve que abortar. Essas garotas que vivem no local… é uma vergonha porque elas querem defender o seu país, mas se falarem sobre a situação serão dispensadas. Elas são reféns”.

Yves Jean-Bart afirmou que nunca houve nenhuma reclamação contra a federação, a equipe de trabalho ou ele próprio e disse que as alegações são uma manobra para desestabilizar a instituição, o caráter dele e da família. “Esse tipo de abuso sexual é impossível em nosso CT dada a estrutura física, os princípios de educação e a atenção contínua que colocamos no lugar”.

A federação haitiana, por sua vez, afirmou que leva as acusações com seriedade, mas que, até a publicação da reportagem, não tinha recebido nenhuma reclamação sobre o assunto. Além disso, afirmou que o principal objetivo do projeto é o lado humano, possibilitar mudar o futuro de jovens.

O centro de treinamento em questão é financiado pelo programa “Goal”, da FIFA, que tem como intuito o desenvolvimento do futebol. Segundo testemunhas ouvidas pelo “Guardian”, o local se encontra em condições deploráveis, depois de anos de negligência – mesmo recebendo US$ 6 milhões da Fifa desde 2016.

Um porta-voz da FIFA afirmou que a FHF foi questionada sobre as alegações de abuso sexual. “Estamos em discussão com a FHF sobre melhoras no centro técnico. Em particular, notamos que as condições gerais das facilidades melhoraram em resultado do investimento providenciado pelo programa “Forward” e vamos continuar trabalhando com a federação para garantir as condições corretas e a infraestrutura para as jogadoras”.

Vale destacar também que Yves Jean-Bart foi reeleito pela sexta vez o presidente da federação haitiana, sendo que a recomendação da FIFA é que os mandatários fiquem no cargo de uma associação por até três mandatos.

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