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Rafa Penido: Botafogo e Copa do Mundo, uma combinação poderosa

Em noite mágica no Rose Bowl, clube brasileiro derrota o PSG e reacende o orgulho nacional com futebol vibrante e simbólico

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Igor Jesus
Foto: Vítor Silva/Botafogo

O Manequinho fez xixi na taça da Champions League do Paris Saint-Germain, e o Botafogo derrubou a Torre Eiffel com um Kamehameha de Igor Jesus.

Hoje, o torcedor botafoguense reúne motivos para delirar de amor e orgulho — pois a Estrela mais do que brilha: incandesce pelo mundo, após vitória épica e redentora sobre os campeões europeus.

Foi mais do que comovente — foi contagiante a vibração do time alvinegro.
Cada bola rebatida e desarme pareciam gol. Cada passe parecia um passo na escalada de uma dificílima montanha.

Durante a partida, em cada um desses momentos de pequenas felicidades, lembrei da icônica frase da atriz laureada com o Oscar, Fernanda Torres:
“A vida presta.”

O futebol brasileiro também presta! — emendo.

A partida que todos ansiavam aconteceu.

Renato Paiva, do Botafogo, contra o PSG. Foto: Vítor Silva/Botafogo

O “pior técnico da história do início do ano”, Renato Paiva, disse certa vez que o “cemitério do futebol está cheio de favoritos”. Profético e cirúrgico, o professor.

Ele só não nos avisou que seu Botafogo enterraria o PSG — com orelhuda e tudo — além dos últimos nove históricos gols sobre Inter e Atlético de Madrid. Muito menos que esse tal cemitério ficava no Rose Bowl, em Los Angeles.

O técnico frasista e coveiro saiu do estádio como mentor de uma vitória histórica — a começar pela feliz escalação dos colossais e leoninos Gregore, Allan e Marlon Freitas.

Atuações maciças dos volantes alvinegros, que, assim como todos os defensores do time, protegeram a camisa do Botafogo, a área de John e a autoestima de milhões de brasileiros.

Pra ser jogador desse Botafogo, tem que ter casca grossa e coração ígneo.

Extenuados, os atletas saíram de campo, após o apito final, para imediatamente ingressarem em uma nova página dourada da história do Clube.

É diferente.

Há vitórias que só acontecem ao Botafogo.

Marlon Freitas, do Botafogo. Foto: Vítor Silva/Botafogo

Há mazelas, maravilhas e sentimentos muito particulares que só perpassam o caminho do Glorioso — clube de tempos e contratempos, que já experimentou o sal do mar de suas próprias cinzas e que, hoje, é o fogo mais potente das Américas.

Viver é renascer — e hoje o Botafogo vive o que sonha e sonha o que vive, num transe que, internamente, é reconhecido como o “tempo de alegria”.

Vitórias monumentais, como o 1 a 0 sobre o Paris Saint-Germain ou a do dia 30/11/2024, simplesmente alteram o espaço-tempo, desafiam a lógica e transmutam a energia de um clube que, por muito tempo, foi maculado por derrotismo, injustiças e gestões desastrosas.

É o Botafogo, neste instante, o grande orgulho do futebol brasileiro.

Como é bom atrair os olhos do mundo e vencer nossas próprias desconfianças.
Como é justo ver um clube que tanto ajudou a transformar o Brasil no país do futebol reunindo uma nação inteira para honrar as cores de nossa gente.

Arthur contra o PSG. Foto: Vítor Silva/Botafogo

Botafogo rima com história, que rima com Copa do Mundo — e vitória.

Foi comovente, arrepiante, chocante — e eterna — a epopeia do Fogão contra o PSG.

Os deuses da bola capacitaram os Escolhidos.
Deu Botafogo porque dava — e porque tinha que dar.
Pondo alma e coração, sempre dá — e isso é futebol.

Vitória estelar, de ressonância — no mínimo — mundial.
O Brasil foi dormir melhor e mais feliz.

O Cristo Redentor, disfarçadamente, fez o Kamehameha junto com Igor — e esse raio segue atravessando o mundo, como quem, num facho de luz, prenuncia:

Ainda é tempo de sonhar.

Rafa Penido é narrador, apresentador e cronista esportivo

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