Esportes
Sabalenka chama de “injusta” a participação de mulheres trans nos torneios da WTA
Número 1 do mundo critica regras do circuito feminino em entrevista a Piers Morgan; entidade mantém diretrizes específicas para atletas trans e reforça que não há jogadoras trans na elite atual
A número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, afirmou considerar “injusto” que mulheres transgênero possam competir em torneios da WTA, apesar de praticamente não haver atletas trans na elite do tênis feminino. A declaração foi dada nesta terça-feira (9/12), durante participação no programa do apresentador britânico Piers Morgan.
Questionada sobre se concorda com a posição de Martina Navratilova, que se opõe à participação de mulheres trans no circuito feminino, Sabalenka disse tratar-se de um tema “delicado”, mas reforçou sua discordância com as regras atuais.
“Não tenho nada contra elas, mas ainda assim sinto que elas têm uma enorme vantagem sobre as mulheres que não fizeram uma transição de gênero”, afirmou.

A tenista acrescentou que, em sua visão, o confronto direto seria desequilibrado.
“Acho simplesmente injusto uma mulher enfrentar jogadoras que são biologicamente homens. Uma mulher trabalha a vida inteira para superar seus limites e, de repente, tem que enfrentar alguém biologicamente muito mais forte. Não concordo com este tipo de coisa no esporte”, completou.
Sabalenka participará no dia 28 de dezembro, em Dubai, de um jogo-exibição contra o australiano Nick Kyrgios, em evento batizado de “A Batalha dos Sexos”.
Como funciona a participação de atletas trans na WTA
A WTA permite a participação de mulheres trans em seus torneios, desde que elas cumpram critérios médicos e administrativos. Entre as exigências está a comprovação de que a concentração de testosterona permaneceu abaixo de 2,5 nanomols por litro durante os últimos dois anos.
Também é necessário enviar uma declaração assinada à entidade confirmando a identidade de gênero feminina ou não binária.
Apesar do debate público, não há atualmente nenhuma atleta transgênero entre as primeiras posições do circuito profissional. O caso mais conhecido na história do tênis é o da americana Renée Richards, que competiu no circuito feminino no fim da década de 1970, após ter atuado no US Open masculino ainda nos anos 1950.