Botafogo
Textor consegue liminar e trava venda de ações da SAF; Botafogo não se vê afetado: ‘página virada’
Decisão da Justiça britânica impede Cork Gully de vender as ações até, pelo menos, 9 de setembro
John Textor conseguiu liminar na Justiça britânica para impedir temporariamente que a Cork Gully LLP venda as ações da SAF do Botafogo. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (12) pelo High Court britânico e, conforme informou o portal inglês City AM, mantém o bloqueio até pelo menos 9 de setembro, quando o caso será novamente analisado.
A medida atinge a Cork Gully, administradora judicial da Eagle Bidco, empresa que está no centro da disputa societária envolvendo John Textor. O juiz Mark Pelling entendeu que houve uma mudança relevante no cenário desde a análise anterior, principalmente porque os administradores deixaram de manter um compromisso formal de não vender as ações.
O que decidiu a Justiça britânica
Segundo a decisão, existe agora um risco de que as ações sejam negociadas antes de uma nova análise judicial. Por isso, o tribunal optou por preservar a situação atual por algumas semanas. A liminar, portanto, não representa uma decisão definitiva sobre quem tem direito às ações, mas apenas impede temporariamente uma eventual venda pela Cork Gully.
O magistrado também destacou uma dificuldade no processo: a Eagle Bidco não apresentou manifestação nos autos. Dessa maneira, o tribunal precisou considerar, neste momento, a versão apresentada pela defesa de Textor, que sustenta não ter recebido o pagamento necessário relacionado à transferência das ações de sua propriedade pessoal para a holding.
A decisão no Reino Unido ocorre depois de Textor ter sofrido uma derrota na Justiça do Rio de Janeiro. No fim de julho, um pedido do empresário para impedir a movimentação das ações da SAF foi negado. Na ocasião, a disputa brasileira envolvia diretamente Textor e a Eagle, enquanto o processo britânico trata da atuação da Cork Gully como administradora judicial.
Botafogo diz que segue focado na GDA Luma
Apesar da nova decisão, o Botafogo não considera que a liminar altere sua estratégia atual. O clube segue trabalhando em parceria com a GDA Luma, grupo que negocia a aquisição da participação da SAF, e entende que a disputa entre Textor e Cork Gully acontece em uma esfera diferente da relação do clube com seus atuais interlocutores.
O Botafogo considera a disputa entre Textor e a Cork Gully uma questão separada dos interesses imediatos da SAF. Segundo ele, o clube entende que o acionamento do bônus de subscrição representa um marco importante na ruptura do antigo acordo e que, a partir disso, a prioridade passou a ser negociar diretamente com a GDA Luma. O entendimento é que a Cork Gully não tem mais participação nas ações.