Esportes
UEFA anuncia boicote à Fifa e ameaça Copa do Mundo
Entidade europeia rejeita criação de empresa para administrar torneios e afirma que as 55 federações do continente não disputarão competições da Fifa enquanto projeto estiver em discussão.
A Uefa elevou o tom no embate com a Fifa e anunciou, nesta quinta-feira, um boicote a todas as competições organizadas pela entidade máxima do futebol enquanto permanecer em pauta a proposta de criar uma empresa privada para administrar seus torneios e vender participação a investidores.
A decisão foi tomada após uma reunião virtual entre as 55 federações filiadas à entidade europeia, que rejeitaram por unanimidade o projeto apresentado pela Fifa na última terça-feira.
Caso seja mantido, o boicote pode provocar impactos históricos no calendário do futebol mundial, incluindo a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, além de futuras edições dos torneios organizados pela Fifa.

A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária controlada majoritariamente pela Fifa e responsável por administrar as competições e concentrar as operações comerciais da entidade. Parte das ações da empresa seria oferecida a investidores privados.
Segundo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a medida permitiria ampliar significativamente a receita da entidade. A expectativa é arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) e aumentar os repasses às federações nacionais de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.
Apesar da justificativa financeira, a proposta encontrou forte resistência no cenário internacional. Além da Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se posicionaram contra o projeto. Juntas, as três confederações representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, formando ampla maioria entre os membros da entidade.
Em nota oficial, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um ativo financeiro.
“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, declarou a entidade.
A organização europeia também criticou a forma como a proposta foi conduzida, acusando a Fifa de elaborar o projeto sem diálogo com as federações e de tentar impor sua aprovação.
Segundo a Uefa, as associações nacionais estariam sendo colocadas diante de um ultimato entre aceitar a privatização parcial das principais competições do futebol mundial ou sofrer consequências, classificando o processo como um modelo de “governança baseada na intimidação”.
A proposta ainda será submetida à votação do Conselho da Fifa e das associações-membro da entidade. Enquanto isso, o impasse aumenta a tensão entre as principais organizações do futebol e pode provocar uma das maiores crises institucionais da história da modalidade.