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Denúncia: Mulher agredida durante anos por ex-companheiro desabafa sobre Lei Maria da Penha

“A lei é como se fosse um conto de fadas e conto de fadas a gente sabe que não existe”, Lívia Fontes França - Vítima

Por Isaac Santos

Foto/arquivo pessoal (hematoma provocado após ser agredida com um ferro de passar)

Levantamento do Instituto de Segurança Pública revelou que no ano passado quatro mil 687 mulheres foram vítimas de estupro no Rio de Janeiro. Em 2018 foram registrados quatro mil 543, um aumento de 144 casos. Outro dado que assusta, é que o Ligue 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, apontou que durante a quarentena houve aumento de nove por cento no número de ligações para o canal, que recebe denúncias específicas de violência contra a mulher.

A auxiliar de dentista Lívia Fontes de França, de 38 anos, que durante 15 anos foi agredida pelo ex-companheiro, conta que apesar do apelo feito pelas autoridades, diversas vezes procurou delegacias especializadas e não teve o atendimento adequado. Inclusive fez duras críticas a Lei Maria Penha.

Lívia Fontes atualmente

“Eu fui ano passado na Deam prestar depoimento no início do ano, aí falei com a delegada, questionei sobre isso tudo porque eu já prestei queixa ali onde nem podia andar (por causa das agreções). E tive que ir sozinha à pé até o Souza Aguiar fazer exame. Ninguém se ofereceu pra me pôr na viatura e levar. E passei praticamente 12 horas entre delegacia e hospital. A única vez que recebi as orientações corretas foi depois de prestar queixa seis anos seguidos,” disse Lívia.

Lívia Fontes hoje vive com a filha e diariamente tenta apagar da memória o que sofreu. Ela reclamou também do atendimento recebido nas delegacias e do constrangimento que passava todas as vezes que precisava registrar alguma ocorrência.

“Ah, mas você daqui a pouco volta. Ele te bateu porquê? O que você fez? É bem assim,” contou Lívia. “Se fossem treinados para entender que o ciclo da violência existe, que é um problema psicológico, que na maioria das vezes a vítima é dependente de alguma maneira, seja emocional ou financeira e que um agressor geralmente muda a vítima, de repente aí talvez, quem sabe melhoraria?,” completou.

Tempos depois Lívia Fontes foi acolhida na Casa Abrigo Lar da Mulher, onde foi amparada após pelos profissionais. “É importante que as mulheres vítimas de violência busquem ajuda, não fiquem confinadas com seus agressores, preservando o bem mais precioso, sua vida,” afirmou a diretora da casa, Sueli Ferreira.

 

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