Mundo Corporativo
Aliado contra a infecção urinária, o cranberry começa a ganhar espaço no Brasil
Cultivado de maneira sustentável por pequenos produtores, o seu consumo traz diversos benefícios para a saúde e pode ser facilmente inserido na rotina alimentar.
Pouco conhecido pelo público brasileiro e com técnicas de cultivo e extração desenvolvidas graças a particularidades da própria fruta, o cranberry é considerado a “superfruta original americana”, por ser naturalmente rico em vitaminas C e E, além de antioxidantes. Nutritiva e versátil no consumo, é reconhecida por contribuir para o bem-estar geral, ajudando na manutenção da saúde do trato urinário e da microbiota intestinal, de acordo com a National Library of Medicine, dos Estados Unidos.
Fortemente ligado à cultura norte-americana, sua produção envolve mais de 1.100 pequenos agricultores familiares — muitos deles na quarta, quinta ou sexta geração — em plantações que ocupam cerca de 15 mil hectares, distribuídos principalmente nos estados de Wisconsin, Massachusetts, Nova Jersey, Oregon e Washington.
Conhecido como “mar vermelho”, o cultivo do cranberry é realizado em campos alagáveis chamados “bogs”. Os frutos crescem em arbustos de aproximadamente 30 centímetros de altura até atingirem a maturação, com coloração vermelha intensa. Na fase de colheita, os campos são inundados, e máquinas conhecidas como “beaters” passam entre as plantas para desprender as frutas, que flutuam na superfície da água graças a pequenas bolsas de ar em sua estrutura interna, formando o chamado “mar vermelho”, cena que se tornou símbolo da produção.
A inundação ainda reduz o tempo de colheita, protegendo as plantas contra condições climáticas extremas e contribuindo para a purificação da água utilizada na irrigação de novas safras. Esse modelo reforça o compromisso dos produtores com práticas responsáveis, consolidando o cranberry não apenas como alimento funcional, mas também como exemplo de agricultura sustentável.
Para difundir o consumo da superfruta original americana e ampliar a oferta na alimentação dos brasileiros, destacando seus benefícios nutricionais e o modelo sustentável de produção, o Cranberry Institute (CI) — entidade norte-americana que atua como organização de pesquisa e divulgação científica da fruta — tem fomentado uma série de estudos sobre nutrição, sustentabilidade e saúde, além de incentivar práticas agrícolas responsáveis. Segundo o CI, o objetivo é consolidar o cranberry como parte de uma dieta equilibrada, ampliando sua presença em receitas e produtos alimentícios.
O consumo de cranberry deve ganhar novo impulso no Brasil com a retomada das atividades da entidade norte-americana no país. De acordo com o CI, “a proposta é ampliar a oferta da fruta e reforçar sua versatilidade na alimentação dos brasileiros, destacando seus benefícios nutricionais e o modelo sustentável de produção”. De acordo com dados do Relatório de Mercado dos Cranberries, a crescente demanda por produtos orgânicos impulsiona o consumo da superfruta original americana, que deverá registrar crescimento de 3,8% ao ano até 2030.
De sabor caracteristicamente ácido e levemente adocicado, o cranberry é fonte de vitaminas C, E, A e K, além de compostos antioxidantes e propriedades antibacterianas. Estudos realizados pela Cochrane Library apontam que a fruta pode auxiliar na redução do risco de infecções do trato urinário e contribuir para a saúde intestinal por ser fonte natural de fibras. Também é utilizada como coadjuvante em estratégias relacionadas a bactérias como a H. pylori.
No mercado brasileiro, o produto está disponível em três apresentações:
– Cranberry desidratado: consumido como snack ou adicionado a iogurtes, saladas e sobremesas. A porção de referência é de 40 gramas ao dia, contribuindo para a ingestão de fibras e compostos bioativos.
– Cranberry em suco: elaborado com 24% de suco concentrado, é rico em vitamina C e antioxidantes. A recomendação diária é de 240 ml.
– Cranberry em pó: versão concentrada, indicada para smoothies, shakes e preparações funcionais. A sugestão de consumo é de cerca de 5 gramas ao dia.
Além do valor nutricional, a fruta ocupa lugar de destaque na cultura norte-americana. O tradicional molho de cranberry servido com peru no feriado de Ação de Graças é símbolo das celebrações familiares e remonta às tradições dos povos nativos da América do Norte, que já utilizavam a fruta antes da chegada dos europeus ao continente desde 1550.
Na época, os cranberries eram consumidos frescos, moídos ou amassados com fubá e assados no pão, ou misturados com carnes de caça e gordura derretida para formar o “pemmican”, uma ração de sobrevivência para os meses de inverno. Em 1620, os peregrinos aprenderam a usar cranberries com os nativos americanos.
Existem várias teorias de como a fruta foi nomeada. A Alemanha e os colonizadores holandeses chamaram a fruta de “crane-berry” porque parecia ser a comida favorita das garças ou talvez porque a flor lembre a cabeça e o pescoço de uma garça inglesa. Eventualmente, “crane-berry” foi encurtado para cranberry. Em 1683, o suco de cranberry foi feito pelos colonos.
Os usos históricos de cranberries são extensos: baleeiros e marinheiros americanos carregavam cranberries a bordo para prevenir o escorbuto, nativos americanos fabricavam cataplasmas de cranberry para extrair veneno de feridas de flechas, usavam ainda cranberry no chá para acalmar os nervos, além de usar o suco como corante para tecidos.