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Avanço do setor imobiliário impulsiona novos eixos urbanos

Dados do PNAD Contínua e do GRI Institute mostram avanço no número de domicílios, crescimento da locação e de lançamentos que reestruturam a demanda também corporativa

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Eixo Platina na Zona Leste de São Paulo

O mercado imobiliário brasileiro tem registrado crescimento nos últimos anos, acompanhado por transformações no perfil da demanda habitacional. De acordo com dados do GRI Hub, iniciativa do GRI Institute, organização internacional voltada à conexão de investidores e líderes do setor imobiliário, o segmento entrou em um novo ciclo de expansão em 2025, com aumento no volume de lançamentos, investimentos e expectativa de melhora no crédito. O levantamento aponta ainda que o mercado residencial brasileiro alcançou recorde de 453 mil unidades lançadas em 2025, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil atingiu 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes em 2025, o que representa um aumento de 18,9% em relação a 2016 — equivalente a mais 12,6 milhões de unidades. A mesma pesquisa indica que 60,2% dos domicílios são próprios e já quitados, enquanto 23,8% são alugados, proporção que cresceu ao longo dos últimos anos. Ainda segundo o levantamento, os imóveis destinados à locação passaram de 12,2 milhões para 18,9 milhões entre 2016 e 2025, crescimento de 54,1% no período.

Os dados também mostram mudanças no tipo de moradia e na composição dos domicílios. Casas ainda representam a maior parte das residências, com 82,7%, enquanto apartamentos correspondem a 17,1%. No entanto, o número de apartamentos cresceu 48,7% entre 2016 e 2025, indicando avanço da verticalização. A PNAD Contínua aponta ainda que 19,7% dos domicílios brasileiros são ocupados por apenas uma pessoa, percentual superior ao observado em 2012, quando era de 12,2%. Segundo a pesquisa, o crescimento dos domicílios unipessoais ocorre principalmente entre homens de 30 a 59 anos e mulheres acima de 60 anos. O dado reforça a demanda por unidades menores, mais funcionais e alinhadas a um estilo de vida mais dinâmico e individualizado.

Segundo Igor Melro, diretor comercial da Porte Engenharia e Urbanismo, de São Paulo, essas mudanças no perfil da população impactam diretamente o setor imobiliário e a forma como os empreendimentos são planejados. “O mercado passa a demandar soluções mais conectadas com o dia a dia das pessoas, considerando mobilidade, praticidade e integração com a cidade”, afirma. O executivo destaca que fatores como tecnologia embarcada, eficiência operacional e relação com o entorno urbano têm ganhado relevância na decisão de compra.

Na prática, esse movimento se traduz no avanço de grandes projetos de uso misto e na consolidação de novos polos urbanos. “Estamos vendo a evolução de um modelo baseado em poucos eixos concentrados para uma lógica mais distribuída, com o surgimento de novas centralidades integradas à mobilidade e à dinâmica da cidade. Estamos acompanhando esse caminho, que tende a se expandir para diferentes regiões da capital e, também, para outras grandes metrópoles brasileiras”, enfatiza Melro.

Um exemplo recente é a chegada da chinesa Keeta ao Brasil, que instalou sua operação em uma unidade da Regus no empreendimento Almagah 227, da Porte Engenharia e Urbanismo, no bairro Tatuapé. Trata-se da primeira unidade da Regus fora do centro expandido da capital, sinalizando o avanço de novas centralidades corporativas, acompanhando o desenvolvimento urbano dessas regiões. A Porte, que foi a primeira a construir um prédio com lajes corporativas no Leste de São Paulo, vai inaugurar em 2026 o quinto empreendimento da região com opções para empresas, o Metria 624. O equipamento integra o Eixo Platina, nova centralidade de desenvolvimento na região.

De acordo com o executivo, a reocupação de áreas já consolidadas e antigas zonas industriais faz parte das discussões atuais sobre expansão urbana em São Paulo. “Em regiões como Tatuapé e Jardim Anália Franco, que tiveram forte presença industrial ao longo do desenvolvimento da cidade, esse tipo de intervenção acaba sendo recorrente. Isso exigiu da Porte uma especialização técnica em processos de recuperação ambiental e requalificação urbana”, detalha. Merlo cita como exemplo um terreno localizado na região do Belém, onde a empresa conduz um processo de descontaminação para implantação de um projeto multiuso com residenciais, escritórios, hotel, shopping e teatro.

Para Igor, a integração entre moradia, mobilidade e atividade econômica tem ganhado espaço no planejamento de novos empreendimentos e centralidades urbanas. “Os dados do GRI Institute e da PNAD Contínua mostram que o crescimento do mercado imobiliário ocorre ao mesmo tempo em que há mudanças importantes no perfil dos domicílios e na ocupação das cidades brasileiras. Nesse cenário, projetos conectados à mobilidade, aos serviços e à dinâmica urbana passam a acompanhar essas transformações de forma mais próxima”, conclui.

Website: https://porte.com.br/