Mundo Corporativo
Consórcios: negócios crescem 24,2% e atingem quase R$ 390 bilhões
Em agosto, vendas batem recorde mensal com 510,67 mil cotas e acumulam 3,82 milhões de janeiro a agosto com alta de 15,1%
O sistema de consórcios atingiu o total de R$ 389,59 bilhões em negócios realizados no acumulado de janeiro a agosto, um recorde para o período, 24,2% acima dos R$ 313,72 bilhões registrados nos mesmos meses do ano passado, de acordo com o levantamento feito pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) junto à maioria de seus associados.
Houve ainda nesses oito meses, como gerador dos créditos comercializados, a venda de 3,82 milhões de cotas, 15,1% acima das 3,32 milhões alcançadas no ano passado, anotando mais um total inédito da modalidade nos últimos dez anos.
Com a manutenção do ritmo dos negócios consorciais, o sistema de consórcios vem demonstrando maturidade, apoiado pelas atitudes do consumidor brasileiro que, ao administrar suas finanças pessoais no espírito da educação financeira, mantem o orçamento mensal pessoal ou familiar equilibrado, por vezes com algum endividamento.
Como decorrência dos bons resultados obtidos nas adesões em agosto, o volume de participantes ativos aumentou e completou 13,55 milhões, 12,0% superior aos 12,09 milhões realizados naquele mês do ano passado.
Ao chegar aos 13,55 milhões de participantes ativos em agosto, constatou-se 65,0% de crescimento sobre os 8,21 milhões anotados desde janeiro de 2022. Nestes mais de quatro anos e meio, foram obtidos 55 recordes consecutivos, com exceção de abril de 2023.
De janeiro a agosto, o acumulado de contemplações, momentos quando os créditos concedidos podem ser transformados em bens e serviços, ultrapassou 1,18 milhão, 1,2% além dos 1,16 milhão dos mesmos meses de 2025. Como decorrência, a liberação de créditos concedidos alcançou R$ 85,72 bilhões, potencialmente injetados nos mercados setoriais internos, 6,5% sobre os R$ 80,51 bilhões anteriores. O tíquete médio de agosto anotou R$ 113,57 mil, ao avançar 13,8% sobre o do mesmo mês de 2025, quando atingiu R$ 99,79 mil.
“Quando restam quatro meses para encerramento do ano, o sistema de consórcios manteve a constância do crescimento apresentada durante os oito iniciais. Novamente os resultados reafirmaram o conhecimento do brasileiro sobre a essência da educação financeira, em especial na gerência de suas finanças pessoais”, destaca Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC.
“Apesar das oscilações da inflação, em queda com deflação em agosto, bem como da desaceleração da economia, ou mesmo possíveis influências climáticas, o cidadão tem considerado sua capacidade em assumir novos compromissos buscando conservar equilibrado seu orçamento. Sem esquecer do alto endividamento das famílias, 82,0%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), importante lembrar que o consórcio, que tem sua base na renda pessoal, deve seguir em alta, inclusive pelo baixo índice de desemprego, 5,3%, apontado pelo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD, em julho”, completa Rossi.
Detalhes dos indicadores
Vendas de Cotas
De janeiro a agosto, o destaque foi o recorde mensal das adesões gerais, nos últimos dez anos. O total de 510,67 mil, batido em agosto, foi acima inclusive da média mensal de comercializações que está em 477,44 mil em 2026.
Os setores de veículos leves, imóveis e motocicletas registraram os maiores volumes mensais de vendas do ano, respectivamente com 188,95 mil, 156,67 mil e 137,90 mil.
Na somatória das comercializações, 3,82 milhões de cotas, a distribuição por setor ficou assim: 1,36 milhão em veículos leves; 1,14 milhão em imóveis; 1,03 milhão em motocicletas; 124,69 mil em veículos pesados, 123,46 mil em eletroeletrônicos; e 42,53 mil em serviços.
Entre os seis segmentos, cinco registraram avanço: imóveis, com 39,4%; eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 8,4%; veículos leves, com 8,2%; motocicletas, com 7,7%; e serviços, com 4,4%. Houve retração somente em veículos pesados, com (-6,5%).
Contemplações
As contemplações por setor, acumuladas no período, ficaram assim distribuídos: 502,91 mil em veículos leves; 446,55 mil em motocicletas; 110,07 mil em imóveis; 62,11 mil em veículos pesados; 28,20 mil em serviços; e 26,45 mil de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.
Nos seis segmentos, houve aumento de 17,9% em imóveis, seguido por 17,2% em serviços, e 2,0% em motocicletas. Enquanto o setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis anotou retração de (-30,3%), os de veículos leves e de pesados mostraram estabilidade.
Participantes ativos
A presença dos participantes ativos em cada setor, onde o consórcio está presente, estiveram assim divididos: 41,5% nos veículos leves; 24,6% nos imóveis; 24,6% nas motocicletas; 6,9% nos veículos pesados; 1,4% nos eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 1,0% nos serviços.
No destaque, o volume alcançado pelo consórcio de imóveis, 3,34 milhões em agosto, que desde julho passou a ser o segundo maior setor em consorciados ativos, cresceu 33,7% sobre 2,50 milhões, anotados no mesmo mês do ano passado.
Em cada setor, dos 13,55 milhões de ativos, a divisão ficou assim: 5,63 milhões em veículos leves; 3,34 milhões em imóveis; 3,33 milhões em motocicletas; 936,38 mil em veículos pesados; 174,24 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 138,38 mil em serviços.
Tíquete médio em cinco anos
Ao analisar o desempenho dos tíquetes médios nos meses de agosto nos intervalos dos últimos cinco anos, verificou-se valorização nominal de 83,7% na evolução dos valores médios registrados. Ao descontar a inflação (IPCA) de 19,05% do período, na relação da diferença de R$ 61,82 mil, de agosto de 2022, para R$ 113,57 mil, no mesmo mês de 2026, houve elevação real de 54,31%.
A importância dos consórcios na cadeia produtiva
No resumo dos oito meses de contemplações no consórcio foram liberados mais de R$ 62,21 bilhões, somente para os veículos automotores. O consórcio atingiu 26,6% de possível presença no setor de automóveis, utilitários e camionetas. No de motocicletas, houve 28,3% de provável participação, e no de veículos pesados, a relação somente para caminhões foi de 27,0%, no período.
No segmento imobiliário, nos sete primeiros meses do ano, as contemplações representaram potenciais 21,8% de participação no total de 431,73 mil imóveis financiados.
Website: http://www.abac.org.br