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Mundo Corporativo

Jovens rejeitam chefia e desafiam modelo tradicional

A Geração Z prefere trajetórias profissionais mais flexíveis e colaborativas

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A resistência de jovens profissionais a cargos de liderança já começa a preocupar empresas no Brasil e no exterior. Organizações de diferentes setores têm dificuldade para formar sucessores e preencher posições de gestão, mesmo entre talentos altamente qualificados. O fenômeno, cada vez mais perceptível no ambiente corporativo, expõe uma mudança profunda na relação das novas gerações com o trabalho, o poder e a própria ideia de sucesso profissional.

Segundo Adeildo Nascimento, CEO da DHEO Consultoria e especialista em cultura organizacional, muitos jovens enxergam a liderança tradicional como um espaço de sobrecarga emocional, isolamento e cobrança excessiva. “Os jovens não estão recuando das posições de liderança. Eles estão recuando de modelos culturais ultrapassados no mundo do trabalho”, opina.

Durante décadas, as empresas associaram a figura do líder a um personagem que precisa resolver tudo, assumir sozinho o peso das decisões, dos conflitos e das crises internas. “Criamos a cultura do herói corporativo. O líder virou o centro de todas as pressões psicológicas, emocionais e operacionais da empresa. A nova geração não quer mais pagar esse preço”, critica.

Ambientes mais colaborativos e humanos

Outro fator é o distanciamento social imposto historicamente aos cargos de chefia. A liderança ainda é tratada em muitas organizações como uma posição superior, solitária e desconectada do coletivo. Nascimento explica que o jovem quer ambientes colaborativos, horizontais e mais humanos. “Quando percebe que virar líder significa se afastar do time e assumir um papel isolado, ele perde o interesse”.

Além da sobrecarga, a relação entre responsabilidade e recompensa também pesa na decisão. O especialista observa que, em muitos casos, o aumento salarial e o reconhecimento não compensam o volume de atribuições assumidas pelos gestores. Em algumas empresas, a promoção é vista quase como uma punição. “A pessoa ganha status, mas também recebe uma enxurrada de problemas e deixa de ter qualidade nas relações de trabalho”, afirma.

Liderança sustentável e atrativa

Para Nascimento, o desafio das empresas não é encontrar jovens vocacionados para liderar, mas revisar a cultura organizacional para tornar a liderança mais sustentável e atrativa. Entre as mudanças necessárias, ele defende o fim da lógica do líder-herói e a construção de modelos mais colaborativos e descentralizados.

“Os novos líderes precisam entender que não carregarão tudo sozinhos. As empresas que conseguirem dividir responsabilidades, fortalecer o trabalho em equipe e oferecer suporte real ao desenvolvimento profissional terão mais facilidade para atrair e formar futuras lideranças”, destaca.

O especialista alerta que organizações excessivamente rígidas e conservadoras tendem a enfrentar dificuldades cada vez maiores na sucessão de lideranças. “Se a empresa continuar presa aos modelos do passado, os talentos mais conscientes e preparados vão buscar ambientes mais modernos, flexíveis e coerentes com os valores dessa geração”.

Vídeo completo no link.

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