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A temperatura da Terra chegará a 65 graus Celsius e as últimas plantas morrerão. Pesquisadores calcularam quando: “O sol evaporará nossos oceanos.”
Sol mais quente redefine o futuro distante da vida vegetal
Um novo estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Atmospheres calculou até quando a Terra ainda vai conseguir sustentar vida vegetal. A resposta envolve bilhões de anos, um Sol cada vez mais quente e um limite de temperatura que nenhuma planta consegue ultrapassar.
Como os cientistas chegaram ao número de 65 graus?
Os astrobiólogos Jacob Haqq-Misra e Eric Wolf, do instituto Blue Marble Space, usaram modelos climáticos tridimensionais para simular a evolução do planeta ao longo dos próximos dois bilhões de anos. O trabalho levou em conta o aumento gradual do brilho solar, que deve crescer cerca de 20% conforme a estrela envelhece.
Em um dos cenários simulados, a concentração de gás carbônico se mantém praticamente estável enquanto a temperatura da superfície segue subindo. Quando a média global chega perto dos 65°C, nenhuma planta terrestre consegue mais sobreviver, e a fotossíntese deixa de ser possível em qualquer forma conhecida hoje.
Quanto tempo a vegetação ainda tem pela frente?
Segundo o modelo, a vida vegetal poderia persistir por até 1,87 bilhão de anos, um prazo bem maior do que estimativas anteriores, que chegavam a apontar apenas cem milhões de anos de sobrevivência para a biosfera.
- Cenário 1: CO₂ estável, aquecimento de cerca de 20°C em 1,5 bilhão de anos, seguido de mais 40°C nos 500 milhões seguintes;
- Cenário 2: queda acelerada de CO₂ por processos geológicos, dificultando a fotossíntese muito antes do limite de temperatura;
- Nos dois casos, as espécies mais resistentes seriam as últimas a desaparecer, próximo da marca de 1,84 a 1,87 bilhão de anos.
Os autores destacam que esse prazo coincide com o momento em que o próprio Sol começará a evaporar os oceanos da Terra, encerrando de vez as condições necessárias para qualquer forma de vida como conhecemos.
As plantas poderiam se adaptar antes disso?
O estudo tem uma limitação importante: as simulações não consideram a evolução futura das espécies nem eventuais tecnologias desenvolvidas por uma civilização inteligente. Para os pesquisadores, é plausível que a vegetação se adapte às novas condições com o passar do tempo.
Entre as possibilidades citadas está a ocupação de altitudes cada vez maiores, onde as temperaturas permanecem mais amenas por mais tempo, e até a hipótese de vida vegetal se espalhar para além da atmosfera terrestre, caso a tecnologia disponível permita esse tipo de expansão.

Existe alguma forma de conter esse processo?
Os autores mencionam ainda a possibilidade de intervenções tecnológicas, como escudos posicionados em órbita para reduzir a quantidade de radiação solar que chega à superfície, uma estratégia associada à geoengenharia planetária.
Mesmo sem intervenção humana, o estudo reforça que a janela de tempo para a vida vegetal é bem mais longa do que se imaginava até agora, o que muda a forma como cientistas calculam o futuro distante da biosfera.
O que isso muda na forma de pensar o futuro do planeta?
A pesquisa recalcula um dos maiores prazos já estimados para a vida na Terra e mostra que, mesmo com o Sol ficando mais brilhante a cada milhão de anos, ainda existe uma margem considerável antes que a superfície se torne inabitável.
Esse tipo de projeção ajuda astrônomos e climatologistas a entender melhor os limites físicos que determinam quanto tempo um planeta pode manter condições favoráveis à fotossíntese antes que o calor extremo torne tudo inviável.