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Ataque a navios no Estreito de Ormuz eleva tensão e preço do petróleo
Irã reivindica ataque a uma embarcação; 3 desaparecidos. Tensão em Ormuz dispara petróleo e gás
O Irã reivindicou o ataque a um graneleiro de bandeira tailandesa nesta quarta-feira (11), uma das quatro embarcações atingidas nas proximidades do Estreito de Ormuz. Três tripulantes do navio tailandês estão desaparecidos. Vinte membros da tripulação foram resgatados, segundo o Ministério de Transportes da Tailândia.
A agência marítima britânica UKMTO informou que um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos” na região. A agência de notícias AFP relatou ainda um quarto ataque, sem identificar a origem da embarcação nem os danos sofridos. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a UKMTO já registrou 14 incidentes contra navios no estreito.
Navios identificados nos ataques
O porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa, sofreu danos leves a 46 quilômetros a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Sua proprietária, a Mitsui O.S.K., confirmou que todos os tripulantes estão bem. Outro graneleiro, o Star Gwyneth, com bandeira das Ilhas Marshall, foi atingido a cerca de 80 quilômetros a noroeste de Dubai, com danos no casco, mas tripulação ilesa, segundo a empresa de gestão de riscos Vanguard.
Na véspera, as Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a destruição de 16 navios iranianos que instalavam minas próximo ao estreito. Donald Trump ameaçou o Irã com “consequências militares de um nível nunca antes visto” caso o país continue minando a área, e Washington já ventila a possibilidade de escoltar embarcações na rota.
O Estreito de Ormuz responde pelo escoamento de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo e está, na prática, sob controle iraniano. Especialistas, no entanto, questionam se a rota ainda compensa economicamente no cenário atual. A instabilidade na região empurrou o barril de WTI a quase 88 dólares, alta de cerca de 6%, enquanto o Brent era negociado a pouco mais de 92 dólares, com valorização de 5%. As bolsas europeias voltaram a cair nesta quarta após uma recuperação parcial na véspera.
Teerã intensifica ofensiva e amplia frentes
A Agência Internacional de Energia cogita acionar reservas estratégicas de petróleo, medida considerada excepcional, de acordo com o Wall Street Journal. Os líderes do G7 devem se reunir por videoconferência nesta quarta para tratar, “provavelmente”, da questão energética, segundo o ministro francês da Economia, Roland Lescure.
Os ataques iranianos atingiram outros pontos do Golfo: houve explosões em Doha, capital do Catar, e quatro pessoas ficaram feridas pela queda de drones perto do aeroporto de Dubai. A Arábia Saudita derrubou drones que seguiam na direção do campo de petróleo de Shaybah e relatou o lançamento de mísseis contra uma base aérea com militares americanos em seu território.
A Guarda Revolucionária iraniana classificou a rodada atual como a onda de ataques “mais intensa e pesada” desde o início da guerra. O presidente do Parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi direto: “O agressor deve ser punido e receber uma lição para ser dissuadido de voltar a atacar o Irã.”
O novo guia supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, nomeado após a morte do pai, Ali Khamenei, nos bombardeios do primeiro dia do conflito, não apareceu publicamente desde então. As autoridades asseguram que ele está “são e salvo” mesmo tendo sido ferido durante a guerra.
Na madrugada desta quarta, o Irã também disparou mísseis contra Israel, que deixaram feridos nas proximidades de Tel Aviv, segundo a emissora Channel 12. Paralelamente, forças israelenses bombardeiam o Líbano desde 2 de março, quando o Hezbollah entrou no conflito regional. O governo libanês contabiliza 570 mortos e quase 760 mil pessoas deslocadas em decorrência dos ataques.