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Ave extinta há mais de 360 anos pode voltar à vida: cientistas avançam em projeto com engenharia genética e inteligência artificial para recriar o dodô

Inteligência artificial e engenharia genética entram na tentativa de recriar características do dodô

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Ave extinta há mais de 360 anos pode voltar à vida: cientistas avançam em projeto com engenharia genética e inteligência artificial para recriar o dodô
A inteligência artificial ajuda a identificar regiões do DNA relacionadas ao bico e à estrutura facial (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O dodô, ave que não voava e vivia nas ilhas Maurício, é o alvo de um projeto que combina análise de DNA, engenharia genética e inteligência artificial. A empresa Colossal Biosciences anunciou avanços para identificar características do animal e estudar sua reprodução em laboratório. A pesquisa, porém, ainda não produziu uma ave recriada, e os resultados divulgados representam etapas de um processo experimental.

Por que o desaparecimento dessa ave marcou a história da conservação?

O último avistamento amplamente aceito da espécie ocorreu em 1662, há mais de 360 anos. Essa data é uma referência histórica, não uma comprovação do momento exato em que morreu o último indivíduo. A chegada humana e a introdução de animais que alteraram o ambiente e consumiram ovos contribuíram para o desaparecimento da população insular.

Conhecida cientificamente como Raphus cucullatus, a ave tornou-se um símbolo das extinções provocadas pela atividade humana. Sua história também mostra a vulnerabilidade de espécies que evoluíram em ilhas e depois enfrentaram mudanças rápidas no habitat. Recriar características físicas em laboratório, portanto, seria apenas uma parte do desafio de devolver um animal semelhante ao ambiente natural.

Ave extinta há mais de 360 anos pode voltar à vida: cientistas avançam em projeto com engenharia genética e inteligência artificial para recriar o dodô
A inteligência artificial ajuda a identificar regiões do DNA relacionadas ao bico e à estrutura facial (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como a inteligência artificial participa da pesquisa genética?

A Colossal Biosciences apresentou a plataforma GenoMorph, desenvolvida para ajudar a relacionar variações no DNA a características anatômicas. Segundo a empresa, a ferramenta foi treinada com dados de desenvolvimento de aves vivas e identificou cerca de 2.300 alvos genéticos associados ao bico e à estrutura facial do animal extinto. Na prática, o trabalho computacional busca apoiar etapas como:

  • Comparar informações genéticas e de desenvolvimento de diferentes aves;
  • Identificar regiões do DNA potencialmente relacionadas às características desejadas;
  • Priorizar alterações que merecem investigação experimental;
  • Reduzir o conjunto de possibilidades antes dos testes em laboratório;
  • Orientar pesquisas que precisam verificar se as previsões correspondem a efeitos biológicos reais.

O projeto pretende clonar o dodô ou modificar uma ave viva?

A estratégia anunciada envolve utilizar o pombo-de-nicobar, considerado o parente vivo mais próximo da espécie extinta. A proposta é modificar células dessa ave para incorporar características identificadas no material genético antigo. Isso difere de uma clonagem convencional, pois o ponto de partida seria um organismo atual submetido a alterações genéticas selecionadas.

Outro avanço comunicado pela Colossal Biosciences foi o cultivo de células germinativas primordiais de pombo-doméstico. Essas células participam da formação de óvulos e espermatozoides. Conseguir mantê-las em cultura abre possibilidades para pesquisas reprodutivas, mas ainda é necessário adaptar procedimentos, realizar as edições pretendidas e demonstrar que elas podem chegar a descendentes viáveis.

Ave extinta há mais de 360 anos pode voltar à vida: cientistas avançam em projeto com engenharia genética e inteligência artificial para recriar o dodô
A inteligência artificial ajuda a identificar regiões do DNA relacionadas ao bico e à estrutura facial (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quais obstáculos faltam para nascer uma ave com essas características?

Identificar alvos no genoma não significa que todos precisem ser editados nem que cada alteração produza o resultado previsto. O projeto precisa conectar informações computacionais ao desenvolvimento de um organismo completo. Entre selecionar mudanças no DNA e obter uma população capaz de viver fora do laboratório, existem desafios distintos:

  • Confirmar quais alterações realmente influenciam a anatomia pretendida;
  • Realizar modificações sem comprometer funções essenciais do organismo;
  • Obter desenvolvimento embrionário e nascimento bem-sucedidos;
  • Avaliar saúde, comportamento e capacidade reprodutiva dos animais;
  • Planejar diversidade genética para evitar uma população excessivamente aparentada;
  • Preparar um habitat adequado e controlar ameaças antes de qualquer soltura.

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A conservação precisa acompanhar o trabalho de laboratório

Uma eventual ave semelhante ao dodô precisaria encontrar condições de sobrevivência nas ilhas Maurício. A disponibilidade de alimento, a proteção do habitat e o controle de espécies invasoras continuariam relevantes, mesmo diante de uma reprodução bem-sucedida. O nascimento de um indivíduo também não demonstraria, sozinho, que existe uma população sustentável ou que sua reintrodução produziria os efeitos ecológicos esperados.

Os anúncios da Colossal Biosciences mostram avanços em ferramentas de análise genética e cultivo celular, enquanto a recriação permanece como objetivo. Para avaliar o progresso, será necessário acompanhar resultados experimentais, desenvolvimento dos animais e planejamento ambiental. O interesse científico está tanto na tentativa de recuperar características perdidas quanto nas possíveis aplicações dessas técnicas à conservação de aves que ainda existem.