Mundo
Copa 2026: política de vistos de Trump afasta turistas e esvazia hotéis nos EUA
Hotéis em cidades-sede americanas amargam baixa ocupação; vizinhos lucram com turistas
O setor hoteleiro americano já contabiliza prejuízos antes mesmo da Copa do Mundo começar, nesta quinta-feira (11). Nas 11 cidades-sede dos Estados Unidos, as taxas de ocupação ficam abaixo das expectativas — desempenho pior do que o registrado nas outras cinco cidades anfitriãs, no México e no Canadá, onde as reservas avançam com mais vigor.
Política de vistos de Trump afasta torcedores
A principal causa apontada para o cenário é a política restritiva de imigração do governo Trump, que vem desviando o torcedor estrangeiro para os países vizinhos. Segundo pesquisa da Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA), cerca de 80% dos proprietários consultados relataram reservas abaixo do previsto, e 70% atribuíram a queda às restrições de vistos e às preocupações geopolíticas. Preços elevados de ingressos e custos de transporte também contribuíram para afastar o público do torneio.
Os números da empresa de análise CoStar ilustram o contraste: Vancouver e Guadalajara lideram a procura, com 48% das vagas hoteleiras preenchidas. Nos EUA, apenas Los Angeles se aproxima desse patamar — nas demais cidades-sede americanas, a ocupação não chega a 40%.
Seleções barradas e árbitro impedido de apitar

As restrições já afetaram diretamente a competição. Das 48 seleções participantes, as delegações do Haiti e do Irã enfrentam proibição de entrada nos EUA. Costa do Marfim e Senegal estão sujeitos a restrições parciais, e outras equipes atrasaram viagens por dificuldades na obtenção de vistos.
Os episódios nos aeroportos reforçam o clima de hostilidade. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito pela Fifa o melhor juiz da África, foi barrado após 11 horas de interrogatório e está fora da Copa. O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas no aeroporto O’Hare, em Chicago — a segurança alegou tê-lo confundido com outra pessoa.
A política que gerou esse quadro foi desenhada no início do segundo mandato de Trump: entrada proibida para cidadãos de 39 países e suspensão de vistos de imigração em 75 países. A Fifa, que organiza o torneio, não encontrou meios de contornar as barreiras impostas pelo governo americano nas fronteiras.