Em 1955, o Havaí introduziu um caracol predador para controlar uma espécie invasora, mas ele devastou caracóis nativos e, 69 anos depois, uma espécie extinta na natureza voltou ao habitat - Super Rádio Tupi
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Em 1955, o Havaí introduziu um caracol predador para controlar uma espécie invasora, mas ele devastou caracóis nativos e, 69 anos depois, uma espécie extinta na natureza voltou ao habitat

Havaí introduziu um caracol predador em 1955 e passou décadas tentando salvar espécies nativas ameaçadas por essa decisão

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Em 1955, o Havaí introduziu um caracol predador para controlar uma espécie invasora, mas ele devastou caracóis nativos e, 69 anos depois, uma espécie extinta na natureza voltou ao habitat
O predador também passou a atacar caracóis nativos do arquipélago (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O Havaí introduziu um caracol predador em 1955 para combater o caracol-gigante-africano, uma espécie invasora que prejudicava plantações. A tentativa de controle biológico, porém, trouxe consequências para a biodiversidade das ilhas: o animal também devorava caracóis nativos. Em 2024, 69 anos depois, uma espécie considerada desaparecida da natureza desde 1991 voltou à floresta, dentro de uma área preparada para protegê-la.

Por que o caracol predador foi levado ao Havaí?

O Euglandina rosea, conhecido em inglês como rosy wolfsnail, foi introduzido a partir da Flórida. A intenção era reduzir a população do caracol-gigante-africano usando um inimigo natural. Esse invasor estava associado a danos em culturas agrícolas, e colocar outro molusco para caçá-lo parecia oferecer uma forma de enfrentar o problema.

O resultado revelou uma falha central: o predador não se alimentava apenas da espécie que se pretendia controlar. Ele também atacava moluscos próprios do arquipélago. Além disso, a redução observada nas populações do caracol-africano não permitiu estabelecer com clareza quanto desse declínio havia sido causado pela introdução.

Como os caracóis nativos foram afetados?

O caracol predador alcançou florestas que abrigavam espécies exclusivas das ilhas, ampliando a pressão sobre populações já vulneráveis. A ameaça não ficou restrita a jardins ou áreas agrícolas. Para compreender por que a recuperação exige diferentes medidas, confira abaixo outros fatores que também comprometem os caracóis nativos:

  • Predação por ratos introduzidos no arquipélago;
  • Ataques de camaleões-de-Jackson;
  • Perda de habitat por ocupação e transformação do solo;
  • Substituição da vegetação nativa por plantas invasoras;
  • Alterações nas condições de temperatura e umidade.
Em 1955, o Havaí introduziu um caracol predador para controlar uma espécie invasora, mas ele devastou caracóis nativos e, 69 anos depois, uma espécie extinta na natureza voltou ao habitat
O predador também passou a atacar caracóis nativos do arquipélago (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Qual espécie conseguiu voltar à floresta em 2024?

A Achatinella fuscobasis foi reintroduzida na Reserva Florestal da Bacia de Honolulu, nas montanhas Ko‘olau, em O‘ahu. Em 1991, o pesquisador Michael Hadfield havia recolhido os últimos 11 indivíduos conhecidos. A transferência para criação sob cuidados humanos preservou uma população que provavelmente desapareceria sem aquela intervenção.

Após mais de 33 anos em cativeiro, o primeiro grupo retornou ao ambiente florestal. Quando a reintrodução foi anunciada, o laboratório de conservação em Pearl City mantinha mais de mil exemplares da espécie. O retorno não significou soltar os animais numa floresta desprotegida: foi necessário criar condições para evitar novos ataques.

Que proteção foi criada para impedir a entrada de predadores?

A área de reintrodução recebeu um cercamento específico para excluir animais invasores. O espaço fica na floresta, permitindo contato com suas condições naturais, mas dispõe de barreiras contra ameaças que continuam presentes fora dele. Confira abaixo os elementos utilizados para proteger esse pequeno refúgio:

  • Paredes de polietileno com aproximadamente 1,5 metro de altura;
  • Abas inclinadas que dificultam a passagem;
  • Malha de fios de cobre;
  • Uma cobertura de proteção no topo da barreira.
Em 1955, o Havaí introduziu um caracol predador para controlar uma espécie invasora, mas ele devastou caracóis nativos e, 69 anos depois, uma espécie extinta na natureza voltou ao habitat
O predador também passou a atacar caracóis nativos do arquipélago (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que devolver os animais ao habitat exige tanto preparo?

O cercamento não resolve o problema se ainda houver predadores dentro dele. Por isso, a preparação incluiu buscas e remoção desses animais, retirada de plantas invasoras e recuperação da vegetação nativa. O trabalho levou cerca de cinco anos. No programa de conservação, controlar predadores e acompanhar as populações são tarefas contínuas, pois uma nova entrada pode ameaçar novamente os caracóis. A criação em laboratório também oferece condições controladas para reprodução e manutenção das espécies mais vulneráveis.

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A recuperação depende de proteger os animais e a floresta

Os caracóis arborícolas nativos se alimentam de comunidades de fungos presentes na vegetação. Preservar as plantas que sustentam essa alimentação faz parte da conservação, assim como impedir a entrada de predadores. Uma população criada em laboratório precisa encontrar alimento e condições ambientais adequadas ao voltar ao habitat. Sem esses recursos, o cercamento sozinho não garante sua permanência.

A história iniciada em 1955 mostra como uma intervenção destinada a controlar uma espécie pode afetar outras. A reintrodução de 2024 abriu uma nova etapa de recuperação, acompanhada pela manutenção de colônias em cativeiro e pelo monitoramento das áreas protegidas. O objetivo é estabelecer populações capazes de continuar vivendo e se reproduzindo nas florestas de O‘ahu, apesar das ameaças que ainda existem no arquipélago.