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Em 1962, a NASA lançou uma nave para estudar Vênus, mas um erro de orientação fez o foguete sair da rota e ser destruído poucos minutos depois
A NASA lançou a Mariner 1 rumo a Vênus em 1962, mas o foguete saiu da rota e precisou ser destruído antes de completar cinco minutos
A Mariner 1 deveria levar instrumentos científicos até as proximidades de Vênus, mas sua viagem terminou ainda no lançamento. Em 22 de julho de 1962, o foguete que transportava a sonda da NASA saiu da trajetória prevista e recebeu um comando de destruição. Menos de cinco minutos depois da decolagem, uma missão interplanetária havia se transformado em uma operação de segurança.
O que a Mariner 1 deveria descobrir sobre Vênus?
A sonda foi preparada para passar perto do planeta e transmitir medições à Terra. A proposta era investigar temperaturas e outras características de Vênus, além de coletar informações sobre o espaço durante o percurso. Não havia pouso previsto: os instrumentos fariam observações durante a aproximação e a passagem.
O projeto era conduzido pelo Laboratório de Propulsão a Jato, o JPL. A viagem exigia comunicação a grandes distâncias, fornecimento de energia e controle da orientação da nave. Também seria necessário enfrentar mudanças de temperatura ao longo do caminho. Nada disso chegou a ser testado naquela missão, interrompida antes da partida rumo ao planeta.
Quais instrumentos estavam a bordo da sonda?
Com aproximadamente 203 quilos, a nave carregava equipamentos destinados a diferentes medições. A missão não levava câmeras, portanto seu objetivo não era produzir fotografias de Vênus. Os dados seriam obtidos por sensores científicos e enviados por rádio. Confira abaixo parte dos instrumentos embarcados:
- Radiômetro de micro-ondas, destinado a medições relacionadas à temperatura;
- Radiômetro infravermelho, para observar a radiação emitida pelo planeta;
- Magnetômetro, para investigar campos magnéticos;
- Detector de poeira cósmica, para estudar partículas no espaço;
- Equipamentos para analisar plasma solar e partículas energéticas.

Por que o foguete saiu da trajetória prevista?
O lançamento ocorreu em Cabo Canaveral, na Flórida, com um foguete Atlas-Agena B. Inicialmente, o voo parecia seguir normalmente, mas os controladores perceberam oscilações e um desvio de rota. A investigação identificou uma falha na antena de orientação do Atlas, que perdeu a conexão de acompanhamento com o sistema em solo.
O foguete deveria continuar em uma trajetória previamente programada até recuperar esse contato. Entretanto, um erro no software impediu a resposta esperada. Faltava uma barra sobre o símbolo R em uma equação. A combinação entre a falha de orientação e o erro matemático comprometeu o controle do voo, em vez de permitir sua continuidade segura.
Como uma barra ausente entrou na sequência da falha?
Um símbolo matemático pode alterar o significado de uma operação usada pelo sistema de orientação. Nesse caso, sua ausência não era apenas uma diferença visual no registro da fórmula. Ela afetava o comportamento previsto do programa diante do problema de acompanhamento. Confira abaixo a sequência simplificada dos acontecimentos:
- A antena do Atlas apresentou uma falha de conexão com o solo;
- O sistema deveria manter o foguete na trajetória programada;
- A equação com o símbolo incompleto comprometeu essa resposta;
- O veículo passou a se desviar do caminho planejado;
- A equipe de segurança precisou encerrar o voo.

Por que foi necessário destruir o veículo?
O foguete fora de controle poderia atingir áreas habitadas ou rotas de navegação. Diante desse risco, o responsável pela segurança do lançamento enviou o comando de destruição cerca de cinco minutos após a decolagem. A Mariner 1 caiu no Atlântico e ainda transmitiu dados por mais de um minuto durante a queda. A intervenção encerrou a tentativa de exploração para impedir que o desvio provocasse danos fora da área segura.
A exploração de Vênus continuou ainda naquele ano
Após a identificação e a correção dos problemas, a NASA lançou a Mariner 2 em 27 de agosto de 1962. Dessa vez, a sonda conseguiu iniciar a viagem interplanetária. Em 14 de dezembro, realizou a primeira observação próxima bem-sucedida de outro planeta, enviando informações que ajudaram a compreender as condições de Vênus.
O resultado revelou um planeta muito diferente da imagem de um ambiente tropical semelhante à Terra. A missão também coletou dados sobre o vento solar durante o percurso. A perda do primeiro lançamento não encerrou o projeto: a correção do sistema de orientação permitiu que a segunda nave completasse a passagem e transformasse instrumentos, sinais de rádio e medições em conhecimento sobre o Sistema Solar.