Em 1978, eletricistas abriam uma vala para passar cabos no centro da Cidade do México, bateram numa pedra esculpida de mais de 3 metros e revelaram as ruínas do principal templo dos astecas, escondido sob a cidade por quase 500 anos - Super Rádio Tupi
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Em 1978, eletricistas abriam uma vala para passar cabos no centro da Cidade do México, bateram numa pedra esculpida de mais de 3 metros e revelaram as ruínas do principal templo dos astecas, escondido sob a cidade por quase 500 anos

A escultura da deusa Coyolxauhqui, achada em fevereiro de 1978, deu origem ao Projeto Templo Mayor e revelou o coração religioso de Tenochtitlán

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Em 21 de fevereiro de 1978, operários de energia encontraram no centro da Cidade do México uma escultura de cerca de oito toneladas da deusa Coyolxauhqui
Em 21 de fevereiro de 1978, operários de energia encontraram no centro da Cidade do México uma escultura de cerca de oito toneladas da deusa Coyolxauhqui - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Uma obra de rotina no centro da Cidade do México mudou a história da arqueologia nas Américas. Em fevereiro de 1978, trabalhadores da companhia de energia bateram numa enorme pedra esculpida e, sem saber, abriram caminho até o Templo Mayor, o principal santuário dos astecas, que estava soterrado sob as ruas da capital mexicana.

Como uma obra de energia revelou o Templo Mayor em 1978?

Foi por acaso, no dia 21 de fevereiro de 1978. Segundo um boletim do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), funcionários da extinta Compañía de Luz y Fuerza del Centro trabalhavam no Centro Histórico quando encontraram uma escultura monumental de cerca de oito toneladas.

A peça era um grande disco de pedra com a imagem de Coyolxauhqui, a deusa da Lua dos mexicas, nome que os próprios astecas usavam para si. De acordo com o INAH, ela estava enterrada havia mais de 500 anos e foi escavada por uma equipe de salvamento arqueológico do instituto.

O Projeto Templo Mayor revelou ampliações do templo e outras construções do Recinto Sagrado de Tenochtitlán, sob o centro da capital mexicana
O Projeto Templo Mayor revelou ampliações do templo e outras construções do Recinto Sagrado de Tenochtitlán, sob o centro da capital mexicana – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O achado mostrou que o coração religioso de Tenochtitlán, a antiga capital asteca, estava ali, debaixo dos prédios do centro. Para o carioca, seria como uma obra na Rua da Carioca revelar uma cidade inteira por baixo do asfalto.

Histórias de cidades escondidas por séculos também aparecem em outros cantos da América Latina. Na Colômbia, outro tesouro indígena ficou oculto pela mata até a década de 1970.

Quem era Coyolxauhqui, a deusa esculpida pelos astecas?

Coyolxauhqui era a deusa lunar dos mexicas, filha de Coatlicue e irmã de Huitzilopochtli. Pela lenda descrita pelo INAH, ela foi derrotada pelo irmão, e os restos dela foram lançados do alto do cerro de Coatepec.

Esse mito explica a força simbólica da pedra encontrada pelos operários. Hoje, a escultura original é uma das estrelas do Museu do Templo Mayor, que todo ano promove atividades, oficinas e exposições para lembrar o aniversário do achado.

O próprio Museu do Templo Mayor publicou um vídeo sobre a lenda em seu canal oficial. A gravação, em espanhol, é dedicada ao mito da deusa da Lua.

O que o Projeto Templo Mayor encontrou sob a Cidade do México?

O projeto revelou as ampliações do templo e outras construções do Recinto Sagrado de Tenochtitlán. Segundo a página oficial do Projeto Templo Mayor, o INAH planejava inicialmente criar um Museu de Tenochtitlán, e a descoberta transformou essa ideia num grande programa de pesquisa.

O museu e a zona arqueológica do Templo Mayor podem ser visitados, mas dias, horários e valores devem ser conferidos no site oficial
O museu e a zona arqueológica do Templo Mayor podem ser visitados, mas dias, horários e valores devem ser conferidos no site oficial – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O fundador foi o arqueólogo Eduardo Matos Moctezuma, que comandou as três primeiras temporadas de escavação. As quatro seguintes ficaram sob a direção de Leonardo López Luján, num total de sete temporadas de trabalho em pleno centro urbano.

Entre os achados estão a Casa das Águias, o Cuauhxicalco e o monólito de Tlaltecuhtli, a deusa da terra. Para a arqueologia mexicana, o projeto marcou uma virada no estudo da cultura mexica, e as escavações seguem com muitas perguntas sem resposta.

Por que a descoberta do Templo Mayor ainda fascina tanta gente?

Porque ela mostra que uma metrópole moderna pode esconder outra cidade inteira sob os pés de quem passa. A capital mexicana cresceu sobre as ruínas de Tenochtitlán, e o templo dos astecas virou a prova concreta dessa história contada em camadas.

Hoje, o museu e a zona arqueológica podem ser visitados, com entrada paga e condições especiais em alguns casos; dias, horários e valores ficam no site oficial. Se um dia você for à Cidade do México, reserve uma manhã para ver de perto a pedra que mudou tudo, e confira antes as regras no site oficial.

Se você curte histórias que saem da terra depois de séculos, tem mais arqueologia esperando por você. Desta vez, a viagem vai até a Inglaterra dos tempos romanos.