Em 1978, pneus cheios de concreto foram jogados no mar e, 40 anos depois, as estruturas se tornaram lar de peixes, lagostas e outras espécies marinhas - Super Rádio Tupi
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Em 1978, pneus cheios de concreto foram jogados no mar e, 40 anos depois, as estruturas se tornaram lar de peixes, lagostas e outras espécies marinhas

Estrutura criada por Yarmouth, nos Estados Unidos, reúne cerca de 2.500 módulos no Nantucket Sound e abriga robalos, mexilhões e lagostas

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O recife de pneus com concreto lançado em 1978 em Yarmouth virou abrigo para robalo-negro, mexilhões e lagostas
O recife de pneus com concreto lançado em 1978 em Yarmouth virou abrigo para robalo-negro, mexilhões e lagostas - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Em 1978, a cidade de Yarmouth, no estado americano de Massachusetts, começou a lançar no mar feixes de pneus cheios de concreto. O plano era criar um recife artificial num fundo de areia quase sem abrigo. Mais de quatro décadas depois, as estruturas viraram casa de peixes, mexilhões e até da lagosta, num caso que chama a atenção de quem acompanha a vida marinha.

Onde fica o recife artificial feito de pneus em Massachusetts?

O recife fica no Nantucket Sound, cerca de 3,5 quilômetros ao sul da foz do rio Bass, em Yarmouth. Segundo a página oficial da Prefeitura de Yarmouth sobre o Fish Reef, a estrutura foi criada em 1978 com pneus reciclados e recebeu acréscimos em 1981, 1995 e 1998.

O projeto saiu do Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts. Cada unidade reúne de três a cinco pneus preenchidos com concreto e amarrados em feixes. Hoje, são cerca de 2.500 módulos numa área de aproximadamente 50 hectares.

Nas ampliações mais recentes, o material mudou. Em 2019, o local recebeu granito de uma ponte ferroviária demolida e blocos de concreto doados. Em 2021, quatro barcaças levaram material de uma obra ferroviária do estado.

Quais espécies de vida marinha vivem hoje entre os pneus?

Robalo-negro, scup, tautog, linguados, mexilhão-azul, lula, búzios e lagosta estão entre as espécies registradas no recife. Antes, aquele trecho do fundo era praticamente liso, sem pedras ou relevo onde os animais pudessem se esconder.

Os cerca de 2.500 módulos de Yarmouth cobrem uns 50 hectares e, onde há mais estrutura, há mais peixe
Os cerca de 2.500 módulos de Yarmouth cobrem uns 50 hectares e, onde há mais estrutura, há mais peixe – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A lógica é simples: superfícies duras atraem algas, mexilhões e pequenos invertebrados, que viram comida para peixes maiores. Os vãos entre os feixes funcionam como esconderijo, inclusive para a lagosta, que procura frestas no fundo para se proteger.

Em 2010, a divisão estadual de pesca fez uma vistoria com sonar e mergulhadores. O resultado mostrou pouco deslocamento dos módulos para fora da área autorizada e grande quantidade de scups e robalos-negros. Onde havia mais estrutura, havia mais peixe.

A história desse recife também passa por uma pergunta antiga: o que fazer com aquilo que a gente descarta. O comportamento de quem recolhe o lixo deixado pelos outros rende outra boa leitura.

Por que os pneus com concreto deram certo em Yarmouth?

O peso do concreto ajuda a manter os módulos no lugar, como indicou a vistoria de 2010. Sem lastro, pneus soltos viram entulho que rola com as ondas e as correntes.

O contraste aparece na Flórida. A partir de 1967, o condado de Broward lançou entre 1 e 2 milhões de pneus amarrados com faixas, mas sem lastro. Um estudo de R. L. Sherman e R. E. Spieler, publicado em 2006 na WIT Transactions on Ecology and the Environment, relata que tempestades romperam as faixas, levaram pneus às praias e soterraram a fauna do recife natural.

Na Flórida, pneus sem lastro se soltaram com as tempestades, chegaram às praias e exigiram remoção
Na Flórida, pneus sem lastro se soltaram com as tempestades, chegaram às praias e exigiram remoção – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Os pesquisadores retiraram 1.600 pneus da borda do recife e concluíram que o material não serve para esse uso. A NOAA, agência oceânica dos Estados Unidos, lembra que pneus, madeira e blocos já foram usados no passado. Hoje, os recifes artificiais costumam ser fabricados com calcário, aço e concreto, materiais mais duráveis.

A Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts publicou no canal oficial uma gravação feita no recife de Yarmouth com uma câmera subaquática com isca. A técnica é conhecida pela sigla em inglês BRUV.

O que o recife de Yarmouth ensina para outros litorais?

A principal lição é que um recife artificial depende de material estável, licença e acompanhamento constante. Em Yarmouth, a estrutura foi planejada, vistoriada e ampliada ao longo do tempo. Em Broward, os pneus sem lastro viraram um problema ambiental que exigiu remoção.

Para quem vive no litoral do Rio e gosta de pesca ou mergulho, o caso mostra como a vida marinha ocupa um fundo vazio quando encontra abrigo seguro. Se você curte histórias do fundo do mar, conta pra gente qual outra curiosidade do oceano quer ouvir por aqui.

Para quem gosta de pensar no que realmente precisa no dia a dia, a reflexão de um ex-presidente sul-americano sobre consumo é uma boa pedida.