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Em 2000, um mergulhador começou a cultivar corais para ajudar no projeto escolar da filha e, 22 anos depois, a técnica já havia permitido replantar mais de 200 mil corais no fundo do mar
Pai ajudou a filha em um projeto escolar com corais e 22 anos depois a ideia já havia ajudado a replantar mais de 200 mil
O que começou como uma experiência feita por um pai para ajudar a filha em um projeto escolar acabou se transformando em uma das histórias mais conhecidas de restauração de corais nos Estados Unidos. Por volta do ano 2000, o mergulhador e criador de peixes tropicais Ken Nedimyer começou a cultivar fragmentos de coral nos Florida Keys. Duas décadas depois, a iniciativa havia crescido, criado enormes viveiros submarinos e contribuído para devolver mais de 200 mil corais ao fundo do mar.
Como um projeto escolar acabou dando origem à ideia?
Ken Nedimyer já conhecia bem os recifes da Flórida e havia acompanhado durante anos a deterioração de espécies como o coral-cervo. Quando sua filha participou de um projeto juvenil ligado ao 4-H, os dois começaram a experimentar o cultivo de fragmentos de coral.
Em vez de simplesmente deixar pedaços quebrados morrerem no fundo do mar, Nedimyer percebeu que era possível mantê-los vivos, multiplicá-los e posteriormente utilizá-los em áreas degradadas.
Por que os recifes dos Florida Keys precisavam de ajuda?
Os corais ramificados da região sofreram grandes perdas ao longo das décadas em consequência de doenças, temperaturas extremas, tempestades, branqueamento e outros impactos ambientais.
Em algumas áreas, populações importantes haviam diminuído drasticamente. Isso trouxe consequências que vão além da aparência dos recifes:
- Redução de habitat disponível para peixes e outros animais;
- Perda de complexidade física dos recifes;
- Diminuição da capacidade natural de recuperação;
- Menor quantidade de corais capazes de se reproduzir;
- Maior vulnerabilidade a novos eventos extremos.

Como funcionam os chamados Coral Trees?
Depois de anos testando diferentes métodos de cultivo, a Coral Restoration Foundation desenvolveu em 2011 uma estrutura conhecida como Coral Tree. Ela fica presa ao fundo do mar por um cabo, mas permanece suspensa na coluna d’água graças a uma boia.
Pequenos fragmentos de coral são pendurados nos braços dessa estrutura, onde recebem luz, circulação de água e nutrientes. Quando atingem tamanho suficiente, geralmente depois de alguns meses, podem ser retirados do viveiro e fixados em recifes naturais.
Por que cultivar o coral suspenso ajuda no crescimento?
Manter os fragmentos afastados diretamente do fundo reduz alguns problemas encontrados quando eles crescem sobre o substrato. Além disso, o formato permite que água e luz circulem ao redor das colônias.
Entre as vantagens desse sistema estão:
- Maior exposição dos fragmentos à luz;
- Boa circulação de água ao redor dos corais;
- Facilidade para acompanhar o crescimento;
- Possibilidade de cultivar grandes quantidades em uma área relativamente pequena;
- Facilidade para retirar os corais quando estão prontos para o replantio.
A própria Coral Restoration Foundation afirma que fragmentos de espécies ramificadas podem atingir tamanho adequado para restauração em cerca de seis a nove meses nessas estruturas.

Como a experiência virou um projeto de grande escala?
O pequeno experimento chamou atenção de instituições de conservação e recebeu apoio para expansão. Em 2007, Nedimyer fundou a Coral Restoration Foundation, que passou a desenvolver viveiros e programas de replantio em escala cada vez maior.
Em 2022, somente naquele ano, a organização devolveu quase 46 mil fragmentos de coral aos recifes da Flórida. Segundo a reportagem que recupera a trajetória de Nedimyer, o total acumulado já havia ultrapassado 200 mil corais replantados até aquele período.
O projeto mostrou que restaurar corais é possível, mas não resolve tudo sozinho
O crescimento dos viveiros mostrou que a restauração ativa pode ajudar a reconstruir populações de corais e aumentar novamente a quantidade de colônias capazes de ocupar determinadas áreas. Em alguns locais restaurados, corais replantados também chegaram a participar de eventos naturais de reprodução.
No fim, porém, cultivar e replantar corais não elimina ameaças como aquecimento dos oceanos, doenças e perda de qualidade da água. A história iniciada por Ken Nedimyer mostra o potencial da restauração, mas também reforça que recuperar um recife exige tanto replantar corais quanto enfrentar as causas que continuam colocando esses ecossistemas em risco.