Em 2001, um Airbus com 306 pessoas perdeu os dois motores sobre o Atlântico e o comandante planou por 19 minutos até uma base aérea - Super Rádio Tupi
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Em 2001, um Airbus com 306 pessoas perdeu os dois motores sobre o Atlântico e o comandante planou por 19 minutos até uma base aérea

Após perder os dois motores sobre o Atlântico, piloto salva 306 pessoas ao pousar nos Açores e transforma pane em feito histórico da aviação

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Dois investigadores examinam pneus estourados de avião no asfalto, um com colete "INVESTIGATOR" visível
A perícia nos pneus danificados após o pouso de emergência foi fundamental para a investigação do voo AT 236. Imagem ilustrativa gerada por IA

Em 24 de agosto de 2001, um Airbus A330 da companhia canadense Air Transat pousou em segurança nos Açores após planar por 19 minutos e cerca de 120 quilômetros sem nenhum motor funcionando. Todos os 306 ocupantes sobreviveram.

O voo AT 236 havia saído de Toronto com destino a Lisboa, com 293 passageiros e 13 tripulantes a bordo. A aeronave, registrada como C-GITS, decolou com 46,9 toneladas de combustível, quantidade 4,5 toneladas acima do mínimo exigido. O comandante Robert Piché, de 48 anos e 16.800 horas de voo, pilotava ao lado do copiloto Dirk DeJager, de 28 anos e 4.800 horas.

A perda dos motores

Uma tubulação de combustível no motor direito se rompeu às 4h38 UTC e gerou um vazamento de cerca de 13 toneladas por hora. Meia hora depois, a tripulação notou alertas de temperatura e pressão de óleo no mesmo motor. Às 5h36, soou um alarme de desequilíbrio de combustível entre as asas.

Os pilotos executaram o procedimento de memória, sem consultar a lista de verificação que alertava para o risco de vazamento. A abertura da válvula de intercomunicação transferiu combustível da asa esquerda para o motor danificado, acelerando o esvaziamento. A tripulação decidiu desviar para a base aérea de Lajes, na ilha Terceira, às 5h45.

O pouso de emergência

O motor direito apagou às 6h13 a 39.000 pés de altitude, a cerca de 280 quilômetros de Lajes. Treze minutos depois, o motor esquerdo também parou, a aproximadamente 120 quilômetros da pista. Às 6h31, as máscaras de oxigênio caíram na cabine. Sem propulsão, o A330 desceu a cerca de 600 metros por minuto, operando com uma pequena turbina eólica de emergência.

Às 6h45, o jato tocou a pista 33 a cerca de 370 km/h, 310 metros após o início do asfalto. O avião quicou, tocou o solo novamente 850 metros adiante e parou após percorrer 2.300 metros de uma pista com 3.000 metros de extensão. Sem o sistema antibloqueio, os pneus estouraram em menos de 140 metros e as rodas sofreram desgaste até os eixos.

Medidas adotadas após a investigação

As mudanças técnicas e administrativas que transformaram a segurança aérea

Instituição Ação principal tomada
✈️ Airbus Criou sistema que alerta anomalias entre consumo real e plano de voo.
🔧 Rolls-Royce Proibiu oficialmente o uso de peças incompatíveis em seus motores.
⚖️ FAA Estabeleceu novos protocolos para vazamentos nos modelos A330 e A340.
🇨🇦 Air Transat Foi condenada a pagar uma multa recorde de 250 mil dólares canadenses.

Durante a evacuação, 14 passageiros e dois tripulantes tiveram ferimentos leves, dois passageiros sofreram ferimentos graves e ninguém morreu. O episódio rendeu ao avião o apelido de “planador dos Açores” e marcou o maior voo planado da história da aviação comercial.

Resultados da investigação

O relatório oficial publicado em 17 de dezembro de 2004 pelo bureau português e pelo Conselho de Segurança nos Transportes do Canadá apontou que a Air Transat instalou uma peça incompatível de uma versão anterior do motor Rolls-Royce. A folga de poucos milímetros entre as tubulações hidráulica e de combustível provocou o desgaste por atrito.

O documento também avaliou a tripulação. Segundo o “Globe e Mail”, os investigadores registraram que os pilotos “não acreditavam que havia um vazamento real de combustível”, mas reconheceram que a condução do comandante evitou uma catástrofe. O caso resultou nas seguintes medidas:

  • Airbus: adicionou um sistema que compara o consumo de combustível ao plano de voo e emite alerta em caso de anomalia.

  • Rolls-Royce: publicou um boletim sobre a incompatibilidade das peças envolvidas.

  • FAA: impôs um novo procedimento para vazamentos de combustível em A330 e A340 a partir de fevereiro de 2006.

  • Air Transat: pagou multa de 250.000 dólares canadenses, a maior da história do país até então.

  • Robert Piché: recebeu em 2002 o prêmio de excelência em pilotagem da associação ALPA.