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Em 2007, tamanduás-bandeira voltaram a uma área onde haviam desaparecido e, 17 anos depois, novas gerações já viviam livres e se espalhavam para além da região
Projeto começa com um casal de tamanduás-bandeira em 2007 e hoje registra animais a até 200 quilômetros da soltura
Em 2007, um casal de tamanduás-bandeira foi solto nos Esteros del Iberá, no nordeste da Argentina. A espécie havia desaparecido da província de Corrientes décadas antes. Dezessete anos depois, filhotes nascidos na natureza já formavam novas gerações, e alguns animais eram registrados longe dos pontos onde o projeto começou.
Por que o tamanduá-bandeira havia desaparecido da região?
O tamanduá-bandeira, chamado de yurumí em parte da Argentina, já fazia parte da fauna de Corrientes. A caça e as alterações nos ambientes onde vivia contribuíram para seu desaparecimento local. Isso significava que a espécie continuava existindo em outros lugares, mas não mantinha uma população naquele território.
O animal usa suas garras para abrir formigueiros e cupinzeiros e captura o alimento com uma língua comprida. Sua volta ao Iberá, portanto, envolvia mais do que levar um mamífero de aparência marcante para uma reserva. A intenção era permitir que ele voltasse a ocupar os campos e outros ambientes dos quais havia sumido.
Como começou a reintrodução em 2007?
O projeto reuniu o governo de Corrientes e a Fundação Rewilding Argentina. A primeira soltura ocorreu em Rincón del Socorro, dentro da área do Iberá. Grande parte dos animais recebidos depois era formada por filhotes órfãos resgatados em outras províncias argentinas, onde suas mães haviam sido vítimas da caça.
Antes de viverem soltos, os tamanduás precisavam passar por etapas de cuidado e adaptação. O trabalho incluía:
- Receber os filhotes resgatados e acompanhar sua recuperação;
- Avaliar a saúde dos animais antes da soltura;
- Prepará-los para encontrar alimento no ambiente natural;
- Monitorar seus deslocamentos após a libertação.
Essa preparação era necessária porque muitos chegavam ainda jovens e dependentes de cuidados. Soltá-los sem acompanhar sua capacidade de se alimentar e circular pelo território reduziria as chances de formar uma população capaz de viver por conta própria.

O que mostrou que a população estava se estabelecendo?
Uma soltura bem-sucedida não termina quando o animal desaparece na vegetação. O sinal mais importante vem depois: ele sobrevive, encontra alimento, reproduz-se e seus filhotes também chegam à vida adulta. No Iberá, os tamanduás reintroduzidos deram origem a novas gerações, enquanto outros grupos foram formados em diferentes setores da região.
Até 2024, o programa havia resgatado e liberado mais de 100 tamanduás-bandeira. A presença de descendentes nascidos livres mostrou que os animais não dependiam apenas de novas solturas para permanecer no território. Alguns núcleos passaram a ser considerados autossustentáveis pela organização responsável pelo projeto.
Até onde os tamanduás conseguiram se espalhar?
Os descendentes dos animais soltos ocuparam outras áreas do Iberá e chegaram a propriedades vizinhas. A Rewilding Argentina também registrou tamanduás nos arredores de localidades como Goya e Empedrado, a até cerca de 200 quilômetros dos pontos de soltura. Esses registros mostram que a recuperação ultrapassou os primeiros locais protegidos.
Um avistamento no Parque Estadual do Espinilho, no Rio Grande do Sul, levantou ainda a possibilidade de dispersão até o Brasil. Especialistas consideraram provável uma ligação com a população de Corrientes, mas a origem daquele animal não havia sido confirmada por análise genética. Por isso, o registro é uma pista importante, sem provar sozinho todo o caminho percorrido.
Quais desafios continuam após a soltura?
Mesmo com filhotes nascendo livres, a espécie continua exposta aos fatores que contribuíram para seu desaparecimento em outras áreas. Proteger a população exige atenção aos ambientes que ela usa para circular, inclusive fora do parque. À medida que os tamanduás se dispersam, a convivência com pessoas e estradas passa a fazer parte do trabalho de conservação.
Alguns cuidados são decisivos para acompanhar essa expansão:
Medidas que ajudam no monitoramento e na conservação das espécies
- 1Registre novos avistamentos sem capturar os animais por conta própria;
- 2Mantenha áreas naturais conectadas entre si;
- 3Reduza riscos de atropelamento nos locais de passagem;
- 4Trabalhe com proprietários das terras vizinhas às reservas.
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O que a volta do tamanduá-bandeira representa para o Iberá?
O projeto começou com a soltura de um casal em uma região onde a espécie já não era encontrada. Ao longo dos anos, resgates, cuidados veterinários e monitoramento deram condições para que outros animais se juntassem a ele. Os filhotes nascidos no ambiente natural passaram a ocupar espaços que nunca fizeram parte das primeiras solturas.
A história do Iberá mostra uma recuperação medida em gerações, não apenas em animais libertados. Os tamanduás-bandeira voltaram a procurar formigas e cupins nos campos de Corrientes e começaram a avançar para áreas vizinhas. A continuidade dessa expansão depende de encontrar alimento, abrigo e caminhos seguros além dos limites do parque.