Em 2021, 654 voluntários começaram a contar insetos esmagados em carros e, três anos depois, o mesmo levantamento apontou uma queda de 62,5% nos insetos voadores - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Mundo

Em 2021, 654 voluntários começaram a contar insetos esmagados em carros e, três anos depois, o mesmo levantamento apontou uma queda de 62,5% nos insetos voadores

Voluntários usam placas de carros para contar insetos e registram queda de 62,5% nos impactos em apenas três anos

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Em 2021, 654 voluntários começaram a contar insetos esmagados em carros e, três anos depois, o mesmo levantamento apontou uma queda de 62,5% nos insetos voadores
Voluntários usaram placas de carros para contar insetos durante viagens no Reino Unido. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Uma placa de carro limpa antes da viagem pode revelar algo sobre os insetos que voam pelo caminho. No Reino Unido, 654 voluntários registraram trajetos em 2021 para contar os insetos que atingiam seus veículos. Ao comparar os dados daquele ano com os de 2024, o projeto Bugs Matter encontrou uma redução de 62,5% nos impactos registrados nas placas dianteiras.

Como uma placa de carro entrou na pesquisa sobre insetos?

A ideia parte de uma observação conhecida por muitos motoristas: depois de uma viagem, alguns insetos ficam presos à frente do veículo. Em vez de depender apenas dessa lembrança, o levantamento transformou os impactos em registros comparáveis. Antes de sair, cada participante limpava a placa dianteira. Ao chegar, contava os insetos e enviava uma fotografia pelo aplicativo.

O aplicativo também registrava informações do percurso, como distância, duração, localização e velocidade média. Em 2021, 654 pessoas fizeram ao menos uma viagem válida para o projeto. A participação continuou nos anos seguintes, permitindo comparar os registros coletados ao longo do tempo.

O que significa a queda de 62,5%?

O número indica que o levantamento registrou 62,5% menos impactos de insetos nas placas em 2024 do que em 2021, após a análise dos dados. Isso sugere uma redução na abundância dos insetos voadores encontrados ao longo dos trajetos pesquisados. Não significa que os pesquisadores tenham contado todos os insetos do Reino Unido nem que 62,5% de cada espécie tenha desaparecido.

Para comparar as viagens, a equipe considerou fatores capazes de alterar a contagem. Entre os detalhes avaliados estavam:

  • A distância e a velocidade média do percurso;
  • A temperatura e a época em que a viagem ocorreu;
  • O tipo e a altura do veículo;
  • As características da paisagem atravessada.

Viagens feitas sob chuva foram excluídas da análise, pois a água poderia remover insetos da placa. Percursos com erros de localização também ficaram de fora. Esses cuidados ajudam a interpretar os registros, embora o método continue sendo um indicador indireto da quantidade de insetos no ambiente.

Em 2021, 654 voluntários começaram a contar insetos esmagados em carros e, três anos depois, o mesmo levantamento apontou uma queda de 62,5% nos insetos voadores
Voluntários usaram placas de carros para contar insetos durante viagens no Reino Unido. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

A redução apareceu em todas as regiões?

O resultado variou entre as partes do Reino Unido, mas a queda apareceu em todas elas. De 2021 a 2024, os impactos registrados diminuíram cerca de 62% na Inglaterra, 65,2% na Escócia, 64,2% no País de Gales e 55,4% na Irlanda do Norte. O percentual de 62,5% para o conjunto do país veio da análise dos trajetos, não de uma média simples desses quatro números.

O estudo também encontrou menos impactos em viagens por áreas urbanas do que em percursos rurais. Isso mostra por que o lugar onde o carro circula precisa entrar na análise. Comparar uma viagem pelo centro de uma cidade com outra por estradas cercadas de vegetação, sem considerar essa diferença, poderia distorcer a leitura dos dados.

Por que a diminuição dos insetos preocupa?

Insetos participam de processos que vão muito além das flores visitadas por abelhas e borboletas. Eles transportam pólen, ajudam a decompor matéria orgânica e servem de alimento para outros animais. Uma redução persistente pode afetar diferentes partes dessa rede ecológica, embora a contagem em placas não mostre, por si só, quais espécies sofreram as maiores perdas.

Os responsáveis pelo levantamento apontam fatores que podem atuar em conjunto sobre as populações de insetos:

Ameaças aos ambientes naturais

Fatores que podem comprometer espécies e ecossistemas

  • 1Perda e fragmentação de áreas naturais;
  • 2Uso de pesticidas e herbicidas;
  • 3Poluição da água, do solo e da iluminação noturna;
  • 4Mudanças no clima e episódios de tempo extremo.

O projeto não atribui toda a queda medida entre 2021 e 2024 a uma causa única. Seus pesquisadores consideram possível que uma tendência de longo prazo tenha se combinado com efeitos temporários do clima nos anos observados.

Leia também: A seca fez o rio recuar e revelou uma ponte romana de quase 1.700 anos que estava escondida sob as águas

O que os próximos anos podem esclarecer?

A queda entre 2023 e 2024 foi de 8%, menor que a registrada nos intervalos anteriores do levantamento. Isso não apaga o resultado acumulado de 62,5%, mas mostra que o ritmo não foi igual em todos os anos. Manter o mesmo tipo de monitoramento ajudará a identificar se houve uma oscilação temporária ou uma redução que continua por mais tempo.

O dado mais forte do projeto está na repetição: limpar a placa, registrar a viagem e contar os impactos ano após ano. Milhares de trajetos transformaram uma impressão comum dos motoristas em uma série de observações sobre insetos voadores. As próximas contagens poderão mostrar se eles voltam a aparecer com mais frequência nas placas ou se a escassez persiste nas estradas britânicas.