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Há mais de 10 anos, pistas de concreto pagas com milhões em dinheiro público permanecem esquecidas no meio de uma floresta sem nunca terem sido usadas
Pistas de concreto esquecidas há 10 anos revelam projeto turístico que nunca aconteceu
Pistas de concreto pagas com milhões em dinheiro público permanecem esquecidas há mais de 10 anos no meio da floresta de Chambaran, na França, como vestígio de um projeto turístico que nunca saiu do papel como prometido. A estrutura fazia parte do entorno planejado para receber um grande complexo de lazer, mas os visitantes nunca chegaram a circular por ali.
Onde ficam essas pistas esquecidas?
As pistas ficam na região de Roybon, no departamento de Isère, em uma área ligada à floresta de Chambaran. O local entrou no centro de uma longa disputa por causa de um projeto de implantação de um domínio Center Parcs, modelo de resort com chalés, restaurantes, comércios e área aquática coberta.
A proposta previa transformar parte da floresta em um grande espaço turístico. No papel, o projeto prometia empregos, arrecadação e movimento econômico. Na prática, parte das obras e estruturas de acesso ficou como lembrança de um plano travado por disputas ambientais, jurídicas e políticas.
O que seria construído na floresta?
O projeto de Roybon previa cerca de mil cottages, além de restaurantes, lojas, áreas de lazer, estacionamento e um espaço aquático fechado. A ideia era criar um destino de férias em meio à natureza, com estrutura para receber milhares de visitantes.
Entre os elementos previstos no projeto estavam:
- mil unidades de hospedagem;
- restaurantes e áreas comerciais;
- espaço aquático coberto;
- áreas de lazer internas e externas;
- estacionamento para milhares de veículos;
- infraestrutura de acesso e circulação;
- redes de água, saneamento e serviços urbanos.

Por que o projeto virou polêmica?
A polêmica começou porque a instalação do complexo exigiria intervenção em uma área natural sensível. Relatórios e decisões administrativas citavam desmatamento, impacto sobre zonas úmidas, consumo de água, adaptação do saneamento e necessidade de novas obras de infraestrutura.
Além disso, o projeto dividiu moradores, autoridades, ambientalistas e movimentos contrários a grandes obras em áreas naturais. Para defensores, o resort poderia revitalizar a economia local. Para críticos, o custo ambiental e o uso de recursos públicos não compensavam a promessa turística.
Quanto dinheiro público entrou no caso?
O caso chamou atenção justamente porque as obras associadas ao projeto não dependiam apenas de investimento privado. Relatórios públicos apontaram participação de diferentes níveis de governo em apoios, redes, estudos, acessos e infraestrutura necessária para viabilizar o empreendimento.
Entre os pontos citados em documentos públicos, aparecem:
- custos municipais com estudos, terrenos e etapas preparatórias;
- obras de ligação e contorno viário;
- apoios departamentais ligados a redes internas e infraestrutura;
- investimentos em água e saneamento;
- ajuda regional prevista para diferentes políticas públicas;
- expectativa de retorno por impostos, turismo e empregos.
Por que as pistas nunca receberam os turistas?
O projeto ficou preso por anos em recursos, autorizações ambientais, contestação sobre zonas úmidas e oposição local. A abertura, inicialmente esperada muito antes, foi sendo adiada até que a viabilidade do empreendimento se desgastou.
Em 2020, o grupo Pierre & Vacances-Center Parcs anunciou a retirada do projeto de Roybon. Segundo comunicados reproduzidos à época, a autorização de desmatamento havia caducado, o acesso ao terreno seguia bloqueado por ocupações e as disputas judiciais se arrastavam havia mais de uma década.

O que esse caso revela sobre grandes obras?
O caso mostra como uma obra pode deixar marcas mesmo quando o projeto principal não é concluído. Antes de o primeiro turista chegar, já pode haver estrada, concreto, terraplanagem, redes, contratos, estudos, disputas e gastos que não desaparecem com o cancelamento.
Também revela um risco comum em projetos de grande impacto: quando o planejamento depende de muitas autorizações, retorno futuro e investimentos públicos, qualquer atraso prolongado pode transformar infraestrutura nova em estrutura abandonada. O que foi pensado para receber visitantes acaba virando símbolo de desperdício.
Qual é a lição das pistas abandonadas?
As pistas de concreto esquecidas na floresta de Chambaran mostram que o custo de uma obra não se mede apenas pelo valor gasto. Também conta o que fica depois: áreas alteradas, dinheiro imobilizado, promessas frustradas e uma paisagem marcada por um projeto que nunca cumpriu sua função original.
No fim, o caso de Roybon resume uma contradição difícil de ignorar. A obra nasceu com a promessa de turismo, empregos e revitalização, mas terminou como alerta sobre planejamento público, risco ambiental e decisões tomadas antes de haver segurança completa sobre a execução. Mais de 10 anos depois, o concreto continua ali, enquanto os visitantes que justificariam sua construção nunca apareceram.
