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Lula defende soberania do Brasil na ONU: “Não cabe no quintal de ninguém”

Mandatário discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral em Nova York

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Foto: Reprodução/Instagram (@lulaoficial)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU com um discurso centrado em soberania nacional, críticas ao uso de tarifas como instrumento de pressão e alertas contra interferências externas em processos eleitorais. O presidente falou em Nova York em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos, às vésperas da eleição presidencial brasileira marcada para 4 de outubro.

O cenário eleitoral esteve no pano de fundo da fala. Lula disputa a presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que em maio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. Sem citar nomes, o presidente afirmou que “a democracia está novamente em xeque” e que o mundo volta a presenciar “a ingerência externa em processos eleitorais”. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, disse. “A democracia brasileira pertence aos brasileiros.”

Interferência, tarifas e soberania econômica

Sobre a relação com a maior potência militar do continente, Lula reconheceu que “a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, mas foi direto: “o Brasil não cabe no quintal de ninguém.” Na área comercial, afirmou que a OMC “respira por aparelhos” e criticou o uso de tarifas como “armas de coerção e chantagem”, declarando que, mesmo diante do “tarifaço”, o país deve bater recorde de exportações em 2026.

O discurso cobriu ainda outros temas centrais da agenda internacional. Sobre segurança, Lula rejeitou presença militar estrangeira e pediu cooperação para “estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.” Criticou “tecno-oligarcas” que conduzem uma corrida digital “sem freios éticos à revelia da ONU” e defendeu a regulação das plataformas digitais. Reafirmou a recusa a pressões de multinacionais sobre o PIX e cobrou reformas no Conselho de Segurança da ONU.

Amazônia e recursos naturais

Na pauta ambiental, Lula destacou a redução do desmatamento na Amazônia ao menor nível em 11 anos e disse que o Brasil pode conciliar desenvolvimento, preservação e descarbonização. Ao mesmo tempo, sinalizou que o governo seguirá em busca de explorar recursos como os da Margem Equatorial e as terras raras necessárias à transição energética. “Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro”, afirmou, acrescentando que o acesso a esses minerais exigirá “geração de valor em nosso território, transferência de tecnologia e suprimento de setores estratégicos nacionais.”

O Brasil mantém desde 1955 a tradição de ser o primeiro país a discursar no debate geral da ONU. Neste ano, Lula foi seguido à tribuna por Donald Trump.