Na década de 1960, arqueólogos encontraram sementes de tamareira com cerca de 2 mil anos numa fortaleza em Israel e, em 2005, uma delas germinou e virou uma palmeira que ainda dá frutos - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Mundo

Na década de 1960, arqueólogos encontraram sementes de tamareira com cerca de 2 mil anos numa fortaleza em Israel e, em 2005, uma delas germinou e virou uma palmeira que ainda dá frutos

Semente antiga de Massada germina e ajuda a trazer de volta a tamareira da Judeia

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Na década de 1960, arqueólogos encontraram sementes de tamareira com cerca de 2 mil anos numa fortaleza em Israel e, em 2005, uma delas germinou e virou uma palmeira que ainda dá frutos
Semente de 2 mil anos germina e dá origem à palmeira Matusalém em Israel - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Nos anos 1960, arqueólogos recolheram sementes de tâmara nas ruínas de Massada, fortaleza no deserto da Judeia, em Israel. Quatro décadas depois, uma delas germinou. A palmeira Matusalém virou uma das plantas mais antigas já cultivadas a partir de uma semente e abriu caminho para que tâmaras de uma variedade extinta voltassem a ser colhidas.

Uma semente de cerca de 2 mil anos fez a tamareira da Judeia voltar a crescer
Encontrada nas ruínas de Massada e germinada em 2005, a palmeira Matusalém mostrou que sementes antigas podem conservar material genético viável por séculos em condições extremamente secas.
🏺
Semente veio de Massada
O material arqueológico foi encontrado nos anos 1960 e permaneceu armazenado por décadas antes da tentativa de germinação.
🌱
Brotou em 2005
Depois de tratamento e plantio experimental, uma das sementes germinou e recebeu o nome de Matusalém.
🌴
Matusalém é macho
A palmeira não produz tâmaras, mas seu pólen foi usado em uma planta fêmea também germinada de uma semente antiga.
🧬
Valor genético e agrícola
As palmeiras ressuscitadas permitem estudar linhagens antigas e possíveis características de adaptação ao calor e à seca.
Resumo útil: o caso de Matusalém vai além da curiosidade arqueológica: ele mostra como sementes preservadas podem recuperar linhagens desaparecidas e ampliar o conhecimento sobre biodiversidade, história e agricultura em regiões áridas.

Como as sementes foram parar em Massada?

Massada é um platô no alto de um rochedo à beira do Mar Morto, fortificado pelo rei Herodes no século 1 antes de Cristo. Ali, rebeldes judeus resistiram ao cerco romano até 73 ou 74 depois de Cristo, num dos episódios mais conhecidos da história da região.

Entre 1963 e 1965, as escavações lideradas pelo arqueólogo Yigael Yadin encontraram nas ruínas um depósito de sementes de tâmara. O clima extremamente seco ajudou a preservá-las, e o material ficou guardado por cerca de 40 anos na Universidade Bar-Ilan, sem que ninguém tentasse fazê-lo brotar.

O experimento que fez a semente germinar em 2005

Em 2005, a pesquisadora Sarah Sallon, do Hospital Hadassah, em Jerusalém, conseguiu três sementes e as entregou à agrônoma Elaine Solowey, do Instituto Arava, no kibutz Ketura. Ela as deixou de molho em água morna, aplicou um fertilizante rico em hormônios vegetais e fez o plantio. Semanas depois, uma delas brotou. A datação por radiocarbono confirmou idade de cerca de 2 mil anos, e a planta recebeu o nome do personagem bíblico mais longevo.

Por que a tamareira da Judeia era tão valorizada

As tâmaras da antiga Judeia tinham fama em todo o mundo romano. Autores como Plínio, o Velho, e o historiador Flávio Josefo elogiaram seu tamanho e sua doçura, e a planta tinha peso econômico, alimentar e simbólico:

  • era uma das principais fontes de riqueza da região, com plantações perto de Jericó e do Mar Morto;
  • aparece em moedas antigas, incluindo as cunhadas por Roma após a conquista da Judeia;
  • era usada na alimentação, na produção de mel de tâmara e em preparos medicinais;
  • figura na tradição judaica entre os sete frutos associados à terra de Israel.

Com guerras, mudanças no clima e o abandono das plantações ao longo dos séculos, a variedade desapareceu. As tamareiras cultivadas hoje em Israel vêm de linhagens trazidas de outros países no século 20.

A palmeira Matusalém dá frutos?

Não diretamente, e esse é um detalhe que muita gente erra. As tamareiras têm sexos separados, e Matusalém é uma planta macho, que produz pólen, mas não tâmaras. Sua contribuição veio de outra forma: o pólen foi usado para polinizar uma palmeira fêmea germinada anos depois a partir de outra semente antiga, permitindo que a tâmara da Judeia voltasse a ser colhida.

Na década de 1960, arqueólogos encontraram sementes de tamareira com cerca de 2 mil anos numa fortaleza em Israel e, em 2005, uma delas germinou e virou uma palmeira que ainda dá frutos
Semente de 2 mil anos germina e dá origem à palmeira Matusalém em Israel – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Hannah e as novas palmeiras ressuscitadas

Depois do sucesso com Matusalém, a mesma equipe repetiu o processo com sementes de outros sítios arqueológicos. Os resultados saíram em 2020, na revista Science Advances:

  • seis novas sementes germinaram, vindas de Massada, Qumran e Wadi Makukh;
  • as plantas receberam nomes bíblicos: Adão, Jonas, Uriel, Boaz, Judite e Hannah;
  • a datação indicou idades entre cerca de 2.400 e 1.800 anos;
  • Hannah, uma fêmea, foi polinizada com o pólen de Matusalém e produziu, em 2021, as primeiras tâmaras da Judeia em séculos.

Uma janela para o passado e para o futuro da agricultura

A história da palmeira mostra que sementes guardadas em ambiente seco podem permanecer viáveis por muito mais tempo do que se imaginava. Para a botânica, isso reforça o valor dos bancos de sementes e das coleções arqueológicas, que podem guardar material genético perdido nas plantações atuais.

Os pesquisadores também estudam se essas palmeiras antigas carregam características úteis, como tolerância à seca e ao calor, que poderiam ajudar a agricultura em regiões áridas. Plantada no kibutz Ketura, Matusalém segue crescendo como uma ponte viva entre a época de Herodes e os laboratórios de hoje.