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Na ONU, Trump ameaça ‘aniquilar’ Irã e usar força militar na América Latina
Presidente americano defendeu a hegemonia dos EUA nas Américas, atacou a ONU e renovou o ultimato ao governo iraniano
Em um discurso de mais de meia hora na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Donald Trump exaltou a potência econômica e militar dos Estados Unidos. O presidente americano atacou o sistema multilateral, a própria ONU e rejeitou alertas sobre a crise climática como uma “farsa”.
A fala, que durou o dobro do tempo estipulado, teve passagens direcionadas ao eleitorado americano, a pouco mais de um mês das eleições legislativas. Trump também renovou ameaças, começando pela América Latina, onde alertou contra “interferências” de “inimigos”.
“Não permitiremos mais que ameaças contra os EUA criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental”, disse, citando a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, como demonstração de força militar.
O recado foi direcionado especialmente a Cuba, que descreveu como um “Estado falido” e acusou de patrocinar o terrorismo. “Cuba cairá”, prometeu Trump, enquanto a delegação da ilha se retirava do plenário.
Um discurso misto
Para Roberto Uebel, professor de relações internacionais da ESPM, Trump fez “um discurso misto”. Ele avalia que o presidente fala para o mundo ao afirmar a hegemonia no Ocidente e, ao mesmo tempo, apresenta indicadores econômicos questionáveis ao público interno para recuperar popularidade.
João Paulo Estevam, pesquisador do Neam/ESPM, pondera que a ação em Caracas demonstrou a disposição do governo dos EUA para atingir seus objetivos e a fragilidade defensiva dos países da América Latina. “Trump está consciente da ampla vantagem dos EUA”, afirma.
Com a mesma abordagem, o presidente tratou do impasse com o Irã, oferecendo um ultimato. “Um acordo será feito com o Irã […] ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica para o inferno e rapidamente?”, questionou.
Segundo Roberto Goulart Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, Trump tenta reduzir a complexidade da situação a uma questão de vontade unilateral. “Ele foi a uma guerra que levou a altos índices de impopularidade, e agora tenta mostrar que tem a solução.”
Diálogo e novas sanções
Nos bastidores, contudo, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se com o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff. Trump confirmou o encontro de três horas, classificando o diálogo como “muito bom” e sinalizando uma nova rodada de conversas.
A reunião ocorreu em meio a sinais contraditórios. A Guarda Revolucionária Islâmica alertou para possíveis ataques dos EUA, enquanto um funcionário de Teerã admitiu reabrir o Estreito de Ormuz em troca da suspensão do bloqueio naval americano.
Passa a vigorar hoje o bloqueio total dos EUA às companhias aéreas do Irã, anunciado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. Empresas de qualquer país estão proibidas de fornecer serviços de apoio, como combustível ou venda de passagens, sob pena de exclusão do sistema do dólar.
As restrições fazem parte de um conjunto de ações para sufocar a economia iraniana. Medidas anteriores já forçaram a Mahan Air, principal companhia do país, a suspender voos para a Turquia e Omã.