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Número de mortos em protestos no Irã sobe para mais de 200

Autoridades admitem aumento do confronto com manifestantes; governo acusa EUA e Israel de interferência externa

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Número de mortos protestos no Irã sobe para mais de 200; polícia diz que confronto se intensificou
Foto: Reprodução/ TV estatal do Irã - Redes sociais

O número de mortos nos protestos no Irã subiu para 203 neste domingo (11), segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), grupo de direitos humanos com sede nos Estados Unidos que monitora a situação no país. As manifestações contra o regime do aiatolá Ali Khamenei ocorrem há quase duas semanas e vêm sendo marcadas por denúncias de violência policial.

De acordo com a agência Reuters, o novo balanço foi divulgado em meio ao endurecimento da repressão. O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, sem detalhar as ações adotadas pelas forças de segurança.

Governo reage e acusa interferência externa

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu que a população se afaste do que classificou como “terroristas e badernistas” e afirmou que o governo está disposto a ouvir demandas populares, especialmente relacionadas à crise econômica. Ao mesmo tempo, ele acusou os Estados Unidos e Israel de “semear o caos e a desordem” no país.

Em declaração oficial, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a proteção da segurança nacional é um ponto “inegociável”. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está “em plena guerra” e que parte dos incidentes teria sido “orquestrada no exterior”.

Ameaças e escalada da tensão internacional

Protestos no Irã. Foto: Reprodução/TV Globo

Ainda neste domingo, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país seja alvo de um ataque norte-americano. A declaração ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que pode intervir caso o regime iraniano continue reprimindo manifestantes pacíficos.

Segundo a Reuters, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que, em caso de ataque, “os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão alvos legítimos”.

Autoridades norte-americanas rejeitaram as acusações de que Washington estaria incitando os protestos, classificando-as como tentativas de desviar a atenção dos problemas internos do Irã.

Contexto dos protestos

Os protestos atuais representam o maior movimento de contestação no Irã desde 2022, quando manifestações eclodiram após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente violar regras do código de vestimenta feminino.

As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade política e econômica, após conflitos regionais envolvendo Israel e o enfraquecimento de aliados do Irã no Oriente Médio. Em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) também restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Até o momento, o governo iraniano não divulgou um balanço oficial de mortos. Organizações internacionais de direitos humanos afirmam que os números podem ser ainda maiores, devido a dificuldades de acesso e verificação independente no país.