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Preço do petróleo dispara e ultrapassa US$115 após ataques no Oriente Médio
Escalada de ataques no Oriente Médio eleva temores e dispara preços da commodity; 12 países condenam ataques em reunião em Riad
O barril de petróleo tipo Brent superou US$115 nesta quinta-feira (19), atingindo o maior patamar em mais de uma semana. A disparada foi provocada por ataques iranianos a infraestruturas energéticas em vários países da região, que acenderam o alerta sobre riscos ao fornecimento global.
O gás natural na Europa também sentiu o impacto: por volta das 8h20 (horário de Brasília), os contratos futuros registravam alta de 16%, chegando a subir 35% em algum momento mais cedo na sessão.
Irã ataca Qatar, Arábia Saudita e Kuwait
Em retaliação ao ataque israelense ao campo de gás de South Pars, o maior do Irã, Teerã lançou ofensivas contra instalações energéticas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, drones atingiram duas refinarias da estatal de petróleo e causaram incêndios.
A estatal QatarEnergy confirmou “danos extensos” em Ras Laffan, cidade industrial responsável por processar cerca de um quinto de todo o gás natural liquefeito consumido no planeta. Na Arábia Saudita, um porto petrolífero no Mar Vermelho também foi alvo dos bombardeios.
As ofensivas evidenciam que o Irã ainda tem capacidade de comprometer operações militares de Estados Unidos e Israel, ao mesmo tempo que expõem vulnerabilidades nos sistemas de defesa aérea de uma das regiões mais críticas para o abastecimento energético mundial. Os ataques também apontam para uma falta de alinhamento entre Washington e Tel Aviv sobre os objetivos do conflito, que já dura quase três semanas.
Na madrugada de quarta para quinta-feira, o presidente americano Donald Trump afirmou que os EUA e o Catar “não estavam envolvidos com o ataque e sequer sabiam que ele aconteceria”. Trump acrescentou que Israel não deve realizar novos ataques a South Pars.
Brent e WTI reagem de formas distintas
Às 7h52 (horário de Brasília), os futuros do Brent avançavam 6,58%, a US$114,45 por barril, após atingirem pico de US$115,10 durante a sessão. O WTI, referência americana, subia 1,05%, a US$96,46, mas chegou a ser negociado acima de US$100 mais cedo.
A diferença de desempenho entre os dois contratos reflete um desconto do WTI em relação ao Brent no maior nível em 11 anos. O fenômeno é explicado pela liberação de reservas estratégicas pelos Estados Unidos e por custos de transporte mais elevados, enquanto o Brent segue pressionado pela escalada no Oriente Médio.
12 países condenam ataques em reunião em Riad
Autoridades de 12 países árabes e islâmicos se reuniram em Riad e emitiram condenação formal aos ataques iranianos contra nações da região. O grupo pediu o fim imediato das ofensivas.
Em declaração conjunta, os governos repudiaram o uso de mísseis e drones contra áreas civis e infraestrutura estratégica, defenderam o direito à legítima defesa e cobraram do Irã respeito ao direito internacional. Participaram do encontro representantes de Catar, Azerbaijão, Bahrein, Egito, Jordânia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Arábia Saudita, Síria, Turquia e Emirados Árabes Unidos.