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Suprema Corte dos EUA barra veto de Trump à cidadania por nascimento

Por 6 votos a 3, tribunal rejeitou manobra do presidente para tirar direito de filhos de imigrantes irregulares

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Donald Trump foi o responsável pelo retorno dessa franquia de sucesso
Em carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, 31 parlamentares democratas afirmaram que as ações do governo Trump fazem parte de um padrão mais amplo de interferência em processos eleitorais da região. Créditos: depositphotos.com / palinchak

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta terça-feira (30/6), preservar o direito à cidadania por nascimento, rejeitando uma iniciativa do presidente Donald Trump que buscava restringir esse benefício a filhos de determinados grupos de imigrantes. Com a decisão, permanece em vigor o entendimento constitucional de que, em regra, toda criança nascida em território americano é automaticamente cidadã do país.

O julgamento representa um revés para a política migratória defendida por Trump. Desde seu primeiro mandato, o republicano tem tentado limitar o alcance da cidadania automática para filhos de imigrantes em situação irregular e de estrangeiros que permanecem temporariamente nos Estados Unidos.

Por maioria de 6 votos a 3, os ministros mantiveram a interpretação tradicional da Constituição americana sobre o tema. De acordo com informações publicadas pelo The New York Times, os ministros Clarence Thomas, Neil M. Gorsuch e Samuel A. Alito Jr. votaram contra esse entendimento. Já Brett Kavanaugh acompanhou a conclusão da maioria, embora tenha apresentado fundamentação distinta para seu voto.

Entenda a discussão

O princípio da cidadania por nascimento passou a integrar a legislação dos Estados Unidos em 1868, com a ratificação da 14ª Emenda à Constituição, logo após a Guerra Civil. A mudança teve como objetivo assegurar a cidadania às pessoas anteriormente escravizadas e, anos depois, sua interpretação foi consolidada para abranger também os filhos de imigrantes nascidos em território norte-americano.

Ao longo das décadas, a Suprema Corte reafirmou diferentes decisões que, de forma geral, qualquer criança nascida nos Estados Unidos tem direito à cidadania, independentemente da situação migratória dos pais. As exceções são restritas e incluem, por exemplo, filhos de representantes diplomáticos estrangeiros em missão oficial do país. 

Logo no iníco de seu 2º mandato, Donald Trump editou uma ordem executiva para impedir que a cidadania automática fosse concedida a filhos de imigrantes em situação irregular e de estarangeiros com permanência temporária, como portadores de vistos de estudantte, trabalho ou turismo. A medida, entretanto, acabou suspensa por decisões de instâncias inferiores da Justiça antes de chegar à análise da Suprema Corte. 

O caso que chegou ao tribunal 

A discussão foi levada ao tribunal por meio de uma ação coletiva apresentada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) em New Hampshire. O processo ficou conhecido como “Trump versus Barbara“.

A autora da ação é uma cidadã hondurenha identificada apenas como Barbara, que teve o sobrenome preservado. Ela vive em New Hampshire desde 2024 ao lado do marido, que também não possui cidadania norte-americana nem residência permanente, e dos três filhos do casal, nascidos em Honduras.

Barbara recorreu à Justiça após descobrir que estava grávida do quarto filho. Como a criança nasceria em território americano, ela alegou que seria diretamente afetada pela ordem executiva de Trump, que impediria o reconhecimento automático da cidadania.

Em abril, a Suprema Corte promoveu uma audiência para ouvir os argumentos das partes. Trump acompanhou a sessão presencialmente e tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos em exercício a assistir a uma sustentação oral no tribunal. Ele deixou o plenário após a apresentação do procurador-geral Dean John Sauer, que representava o governo, e antes da manifestação da equipe jurídica da ACLU.

Durante a disputa judicial, Trump sustentou que a cidadania por nascimento funciona como um “ímã para a imigração ilegal”. A defesa do governo baseou sua argumentação na expressão da 14ª Emenda que estabelece que a cidadania é garantida às pessoas “sujeito à sua jurisdição”. Segundo os advogados, esse trecho permitiria excluir filhos de imigrantes em situação irregular do direito à cidadania.

A interpretação, porém, enfrentou questionamentos inclusive entre integrantes da ala conservadora da Suprema Corte. Antes da audiência, Trump declarou que a cidadania por nascimento dizia respeito a “bebês de escravos”, e não a “pessoas ricas da China, nem com o resto do mundo que querem que seus filhos” obtenham cidadania americana.

“O mundo está enriquecendo ao vender cidadanias para o nosso país, enquanto ao mesmo tempo ri de como nosso sistema judicial dos EUA se tornou estúpido”, escreveu Trump na Truth Social.

O presidente também afirmou que os Estados Unidos seriam o único país a adotar a cidadania automática para todos os nascidos em seu território. Entretanto, levantamento do Pew Research Center aponta que pelo menos outros 32 países possuem regras semelhantes, entre eles Canadá e México.