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Túmulo egípcio de mais de 3 mil anos guarda um poema de despedida escrito por um filho para o pai, e a tradução emocionou os arqueólogos que encontraram o texto
A rara estela de Bir Al-Shaghala revela laços afetivos no oásis.
No coração do vasto oásis de Dakhla, uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu um sepulcro piramidal construído com tijolos de barro. A edificação do período romano guarda uma valiosa relíquia poética, expressando o afeto filial gravado na pedra há dezessete séculos.
Como foi feita a descoberta do túmulo no oásis de Dakhla?
A recente missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades realizou os trabalhos no emblemático sítio de Bir Al-Shaghala. A localização abrigava a necrópole de Mothis, a próspera capital regional durante o domínio das dinastias ptolemaica e romana no antigo Egito.
As escavações revelaram uma notável arquitetura funerária com entrada monumental feita em arenito e cornija egípcia. A sepultura foi originalmente projetada para abrigar o corpo de um casal, reunindo elementos ornamentais típicos de diferentes culturas da antiguidade oriental.
O que diz o poema funerário encontrado na estela?
Fixada na parede sul da estrutura, uma estela retangular de pedra apresentou dezenove linhas poéticas escritas em tinta vermelha. O texto representa uma emocionante homenagem em grego antigo dedicada a um homem chamado Psychtis, elaborada carinhosamente por seu próprio filho.
Análises preliminares indicam que o falecido Psychtis pode ter exercido a função de juiz na comunidade local. A elegia redigida no final do terceiro século serve como um valioso testemunho da vida cultural e literária que floresceu nos oásis egípcios.

Quais detalhes arquitetônicos se destacam na estrutura do túmulo?
O acesso ao interior da sepultura ocorre por meio de catorze degraus escavados que levam à entrada principal. A verga de arenito possui decorações hieróglifas esculpidas contendo rituais de proteção e encantamentos destinados a resguardar a passagem para o além.
Homenagem Gravada
O Poema Funerário de Psychtis
Escrito em tinta vermelha e composto em dezenove linhas de grego antigo, o texto homenageia um homem que possivelmente atuava como juiz na região do oásis.
A elegia funerária da estela expressa sentimentos de dor do filho, evidenciando o florescimento cultural e literário existente durante o domínio romano no Egito.
Na parte superior do portal sobressai um painel inédito retratando a sétima hora do livro sagrado Amduat. A entrada conduz a um salão coberto com abóbada que dá acesso direto a duas câmaras mortuárias feitas de tijolos e revestidas de gesso.
Entre os principais aspectos arquitetônicos observados no monumento destacam-se:
- Entrada monumental em arenito ornada com disco solar alado e serpentes naja;
- Salão transversal abobadado conectado às salas de sepultamento internas;
- Estrutura piramidal superior construída em tijolos de barro cozido.
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Quais outros artefatos foram recuperados no local das escavações?
Além da estela gravada, os arqueólogos resgataram uma mesa de oferendas em arenito sobre uma bacia de purificação. A expedição também localizou diversos recipientes cerâmicos e uma moeda de bronze com a efígie em relevo do imperador romano Constantino.
As evidências materiais sugerem que a sepultura passou por alterações em períodos posteriores. No topo da construção, os pesquisadores identificaram uma capela superior e um santuário com quatro colunas de barro, indicando a reutilização contínua daquela área sagrada.
Os objetos encontrados na tumba revelam aspectos importantes da cultura local:
- Peças cerâmicas utilizadas para armazenamento de suprimentos e rituais;
- Mesa de pedra destinada ao depósito das oferendas funerárias aos mortos;
- Moeda imperial permitindo a datação precisa da ocupação romana no oásis.

Qual é a importância histórica desta tumba no antigo Egito?
O achado arqueológico é considerado fundamental por exemplificar a perfeita fusão entre o estilo egípcio tradicional e as influências greco-romanas. O cemitério de Bir Al-Shaghala abrigava sepulturas das elites locais, combinando tradições religiosas distintas em um único espaço funerário.
Conduzidas desde o ano de 2002 pelo governo egípcio, as pesquisas na necrópole continuam revelando detalhes inéditos sobre a administração e o cotidiano do oásis. Essas descobertas expandem nossa compreensão sobre o rico patrimônio cultural daquela fascinante região desértica.