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Um tubarão-branco foi observado nos recifes de coral do Golfo do México, revelando uma rota migratória de 9.200 quilômetros.
Estudo publicado em setembro registrou nove tubarões-brancos em santuário marinho dos EUA, entre eles um macho que repete a viagem desde o Canadá ano após ano
Um tubarão-branco macho foi detectado em anos seguidos nos recifes de coral do Golfo do México, entre 130 e 200 km da costa do Texas e da Louisiana. A partir desses registros, os cientistas desenharam uma rota migratória de pelo menos 9.200 quilômetros por ano. É o primeiro estudo a documentar a espécie no Santuário Marinho Nacional de Flower Garden Banks, nos Estados Unidos. O caso ajuda a entender como esses grandes predadores atravessam o Atlântico Norte.
O que os cientistas descobriram no santuário do Golfo do México?
Os pesquisadores registraram nove tubarões-brancos, seis fêmeas e três machos, passando pelos bancos de coral do santuário durante três anos de monitoramento, entre 2022 e 2025. O trabalho tem como primeiro autor Michael Dance, da Universidade Estadual da Louisiana, e foi publicado em 16 de setembro de 2026 no periódico Frontiers in Marine Science.

Ninguém viu os animais a olho nu. Eles levavam transmissores instalados anos antes na costa leste americana: sete em Cape Cod, em Massachusetts, e dois em Hilton Head, na Carolina do Sul. Receptores acústicos espalhados por 17 bancos do santuário, 4 bancos naturais vizinhos e 11 recifes artificiais captaram o sinal quando eles passaram.
Os números do artigo ajudam a entender quem são esses visitantes e quando eles aparecem. A tabela reúne os principais dados divulgados pelos autores do estudo.
| Dado | Resultado |
|---|---|
| Tubarões detectados | 9, sendo 6 fêmeas e 3 machos |
| Tamanho na marcação | De 2,4 a 4 metros |
| Locais com registro | 14 recifes, 7 deles bancos do santuário |
| Distância do local de marcação | De 2.100 a mais de 3.750 km em linha reta |
| Época dos registros | De janeiro a agosto, 55% na primavera |
A maior parte das passagens aconteceu na primavera do Hemisfério Norte, de abril a junho. Isso combina com o deslocamento já conhecido da espécie rumo ao sul. As visitas foram rápidas: nenhum animal ficou mais de um dia junto ao mesmo receptor.
Como o tubarão-branco percorre uma rota de 9.200 km por ano?
O macho identificado como WS-05 passa o outono no Golfo de São Lourenço, no Canadá, e desce até o Golfo do México na primavera. Marcado em março de 2021 em Hilton Head, ele voltou ao santuário na mesma estação em anos consecutivos. Pelas contas dos autores, essa ida e volta soma pelo menos 9.200 km por ano.
Uma fêmea, chamada WS-02, também repetiu a visita em mais de um ano. Na biologia, esse retorno fiel ao mesmo lugar se chama filopatria, um comportamento comum na migração animal. Os pesquisadores acreditam que os dois ainda não eram adultos, o que indica que a rota migratória já é aprendida cedo.
Tubarão aparecendo onde ninguém espera chama atenção também longe dos recifes. Em setembro, outro flagrante nos Estados Unidos rodou o mundo.
Vídeo: tubarão é flagrado em rua alagada durante tempestade nos EUA➔
Por que os recifes de coral funcionam como corredor migratório?
Para os tubarões, os bancos de coral do Golfo são pontos de passagem rápida, não moradia. O estudo descreve os bancos e recifes da plataforma externa como um provável corredor migratório, em áreas situadas entre 100 e 200 metros de profundidade.

O Santuário Marinho Nacional de Flower Garden Banks, da NOAA, a agência oceânica americana, foi criado em 1992 e hoje reúne 17 recifes e bancos. A maior parte de seus habitats fica na zona mesofótica, também chamada de zona de penumbra. Com a ampliação anunciada pela NOAA, a área protegida passou de 56 para 160 milhas quadradas, cerca de 414 km².
A própria NOAA divulgou imagens submarinas dos novos bancos incorporados ao santuário. O vídeo mostra parte do ambiente por onde esses tubarões passam durante a viagem.
O que a descoberta muda para a proteção do tubarão-branco?
A descoberta mostra que áreas protegidas longe da costa também podem abrigar as rotas de grandes predadores. Para os autores, santuários como esse ajudam a proteger os caminhos de migração do tubarão-branco. Eles lembram que esses registros só existem porque houve investimento em pesquisa sobre a ligação entre ecossistemas.
O próximo passo é manter o monitoramento por mais tempo. Só assim será possível saber se a presença no verão indica uma população em crescimento, hipótese que ainda não foi confirmada. Se você também fica impressionado com essas viagens gigantes pelo oceano, acompanhe com a gente os próximos capítulos dessa história.
E por falar em mar azul e bicho marinho, o Brasil também tem paisagens de encher os olhos. Em Fernando de Noronha, os golfinhos-rotadores estão entre as atrações.