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Uma píton birmanesa de 4,8 metros e 67 quilos foi solta na Flórida enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) testa drones para rastrear cobras invasoras nos Everglades
Fêmea marcada com transmissor ajuda cientistas a achar outras cobras, enquanto drones com antena ou câmera são testados no sul da Flórida
Uma píton birmanesa fêmea de cerca de 4,8 metros e 67 quilos voltou de propósito para a natureza no sul da Flórida, nos Estados Unidos. Ela recebeu um transmissor de rádio e foi solta no ecossistema dos Everglades pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O órgão testa drones para encontrar essas cobras gigantes mais rápido e gastando menos.
Por que o USGS soltou de volta uma píton de 4,8 metros?
A cobra foi solta porque vai trabalhar para os cientistas como uma espécie de informante. Segundo o Centro de Ciências de Fort Collins do USGS, a fêmea recém-marcada media 16 pés e pesava 147,9 libras. Isso dá 4,88 metros e 67 quilos. Biólogos do órgão pilotaram o drone, e estagiários da Universidade da Flórida ajudaram a devolver o animal ao ambiente.
A lógica do método é simples. Na época de reprodução, as pítons se juntam, e uma cobra com transmissor ajuda a localizar esses pontos de encontro. A página do USGS sobre as pítons invasoras do sul da Flórida explica que o rastreamento por rádio leva as equipes a outros animais. Entre eles estão fêmeas reprodutoras, que depois são retiradas da natureza.
Como os drones ajudam a localizar pítons nos Everglades?
Os drones levam a antena de rádio ou uma câmera para o alto e cobrem áreas onde andar a pé é lento e arriscado. O USGS avalia o equipamento como ferramenta para melhorar a detecção e o rastreamento. A meta é reduzir o trabalho e o custo do monitoramento tradicional, feito por terra.

Os Everglades misturam pântano, capim alto e mata fechada, um terreno difícil até para equipes experientes. Quem treinou os pesquisadores foi o hidrólogo Chris Holmquist-Johnson, instrutor certificado de aeronaves não tripuladas do Departamento do Interior americano. Com o drone no ar, os cientistas dizem estar descobrindo coisas novas sobre como as cobras se deslocam nessa paisagem enorme.
Por aqui, o comportamento das serpentes grandes também chama a atenção. No Pantanal, um guia registrou há pouco uma sucuri gigante passando no meio de vários jacarés.
Qual estrago a píton birmanesa causa na fauna da Flórida?
O estrago é grande, principalmente entre os mamíferos. A píton birmanesa é nativa do Sudeste Asiático e se tornou uma espécie invasora no sul da Flórida. Segundo o USGS, a população selvagem deve ter começado com poucas cobras de estimação soltas no extremo sul do Parque Nacional dos Everglades, no início dos anos 1980.

Sem predadores à altura, a cobra se espalhou e passou a se reproduzir na natureza. Uma publicação do USGS de setembro de 2025 lembra que a espécie pode passar de 5 metros e que os drones já estavam em teste nas áreas de difícil acesso. Os dados abaixo, do próprio Serviço Geológico, dão a dimensão do problema.
Mamíferos: as populações de guaxinins, gambás, linces, coelhos, raposas-cinzentas e veados-de-cauda-branca caíram de 85% a 100%.
Território: há pítons no Parque Nacional dos Everglades, na Reserva Nacional de Big Cypress e em outras áreas protegidas, além de registros ao norte do Lago Okeechobee e nas Keys.
Fonte: Centro de Pesquisa de Áreas Úmidas e Aquáticas do USGS.
Esses bichos fazem parte da base da cadeia alimentar do pântano. Quando eles somem, todo o ecossistema sente o impacto, e é por isso que cada cobra encontrada importa para os pesquisadores.
O que muda no combate à espécie invasora com os drones?
Se os testes derem certo, o que muda é a escala: menos gente andando no brejo e uma área bem maior vigiada pelo ar. O Serviço Geológico dos Estados Unidos ainda está avaliando o método, ao lado do rastreamento por rádio feito a pé e de avião. Cada píton marcada que for achada com mais frequência significa mais dados e mais chances de chegar a outras cobras.
A história da Flórida também serve de alerta em qualquer lugar do mundo. Uma espécie invasora pode começar com um gesto pequeno, como soltar no mato um animal exótico de estimação. E você, confiaria num drone para achar uma cobra de quase cinco metros no meio do pântano? Conta pra gente nas redes da Tupi.
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