Capital Fluminense

Jovens negros acusam casa de show de racismo ao serem impedidos de deixar evento no Centro do Rio

Alayê de Brito, de 29 anos, e mais duas amigas alegam que foram abordados de forma agressiva e ameaçados após se recusarem a desbloquear o celular

Por Caio Ramos

Alayê de Brito, de 29 anos, e mais duas amigas foram impedidos de deixar festa por se recusarem a desbloquear o celular
Alayê de Brito, de 29 anos, e mais duas amigas foram impedidos de deixar festa por se recusarem a desbloquear o celular (Foto: Reprodução)

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) está investigando uma denúncia de racismo feita por três jovens negros que foram impedidos de deixar uma festa no Centro da cidade do Rio. O caso aconteceu no dia 23 de abril, durante o feriado de São Jorge, e teria sido motivado após o grupo se recusar a desbloquear o celular.

Segundo o gerente de projetos internacionais Alayê de Brito, de 29 anos, ele e mais duas amigas foram convidados para o ‘Baile do Urucum’, organizado pela casa de shows do Núcleo de Ativação Urbana (Nau Cidades) e chegaram no evento por volta das 23h30.

Cerca de dez minutos depois, o grupo desistiu de ficar na festa por conta das bebidas serem muito caras.

“Quando a gente foi para o bar comprar alguma coisa, a gente viu que as bebidas eram extremamente caras. Os drinks lá eram com venda casada, para comprar qualquer bebida, também precisava comprar o copo da casa. Um drink era 40 reais, uma caipirinha 30 e o copo era 10”, disse Alayê.

Na saída, os mesmos seguranças que tinham feito a revista na entrada exigiram que cada um dos jovens desbloqueasse o celular para provar que o aparelho não tinha sido roubado. Alayê conta que, além da abordagem agressiva, o chefe da segurança do local ainda ameaçou o grupo.

“Disseram que nós não iríamos sair da festa se não desbloqueássemos os telefones. Eles disseram que precisavam ver se os telefones não eram roubados. Ameaçaram a gente dizendo que se não desbloqueássemos os telefones, a gente só sairia no camburão. Foi uma situação triste, constrangedora, extremamente racista”, lamentou Alayê.  Imirá.

Em nota, o Nau Cidades afirmou que a fiscalização dos celulares dos clientes é uma política de segurança da casa, realizada sem distinção.

Veja a nota na íntegra:

“Ao longo dos últimos anos, os frequentadores de eventos têm sido alvos de ação de roubo e furto em todo o Brasil. Conforme constatado por investigação de órgãos de segurança, as ações se tratam de uma atuação de quadrilhas em território nacional. Com o objetivo de inibir esses crimes dentro dos espaços culturais, muitas produções decidiram implementar a solicitação de revista na saída dos eventos. A solução foi amplamente elogiada por frequentadores, visto que foi constatada uma diminuição considerável do número de extravios de bens”.

“Descontente com o processo, equivocadamente interpretado como discriminatório, um grupo de amigos decidiu sair do evento com a Polícia Militar e ir até a delegacia mais próxima para averiguação dos fatos, acompanhados também da coordenadora de segurança do NAU Cidades e de um produtor do evento.

Entendemos que todo o contexto histórico e estrutural do país tenha provocado sentimentos desagradáveis em algumas pessoas e lamentamos profundamente que a ação, realizada com todos os frequentadores, objetivando promover a segurança do nosso público, tenha sido interpretada como um ato racista. Somos plurais, diversos e atitudes preconceituosas e criminosas não têm e nunca terão espaço em nenhum dos eventos que promovemos.

Estamos abertos ao diálogo com todos os envolvidos e, neste momento, gostaríamos de convidar a BATEKOO, uma das maiores referências em fomento da cultura negra no Brasil, para se juntar a nós a fim de aprimorarmos o nosso processo de atuação.

O NAU Cidades surgiu com um propósito muito forte de promoção da diversidade e equidade. Acreditamos no respeito e na pluralidade como forma de transformar a nossa sociedade ainda tão desigual. Seguiremos firmes nesse sentido, repudiando qualquer tipo de comportamento discriminatório”.

 

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