Política

Joice Hasselmann dispara: ‘Bolsonaro age como vereador’

Após deixar a liderança do governo, deputada do PSL critica a postura mercurial do presidente e o núcleo duro do Planalto

Joice Hasselmann.(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

(Estado de Minas/ Bernardo Bittar) Rompida com Jair Bolsonaro há cerca de um mês, a deputada de primeiro mandato Joice Hasselmann (PSL-SP) e ex-líder do governo no Congresso, agora, descreve o presidente da República que tanto defendeu como alguém que não está à altura do cargo que ocupa. “Ele é o homem mais importante do país. Mas, às vezes, tem agido como se fosse um vereador. Quando pega o telefone para dizer ao deputado: ‘vem aqui que vou te dar um carguinho para você votar no meu filho na lista de líderes’. Caramba! É para negociar o cargo de líder de um partido, uma coisa pequena quando se compara com um presidente da República eleito com 57 milhões de votos”.

Alvo de ataques nas redes sociais após a família presidencial levar a público brigas que antes ficavam restritas aos bastidores do primeiro escalão, ela tem o também deputado Eduardo Bolsonaro (SP), que ainda não pôde deixar o PSL para não perder o mandato, como um dos principais desafetos. “Nunca tive carinho ou amizade pelo Eduardo, nunca houve essa aproximação. Prezo pelo diálogo e descobri muito cedo que ele não cumpre a palavra. Não consigo respeitar alguém que não cumpre a palavra”.

Às vésperas do fim do ano, Joice não faz mistério sobre sua meta para 2020 — quer comandar a principal cidade do país e se coloca como pré-candidata do PSL à prefeitura da capital paulista. Mulher mais bem votada de São Paulo, diz ter sofrido provocações machistas e trabalha para se livrar do estigma de elitista. “Quero vencer a eleição com a ajuda de todos. Não vou ser a prefeita de elite, aquela que fica preocupada com as mazelas da classe A. A prefeita, ou pensa no município como um todo, ou não está preparada”.

Com as articulações do Aliança Pelo Brasil, o PSL é quem mais perde aliados. A senhora fica no partido, mas como vai ser daqui pra frente?

Para nós, o PSL é dividido em Nutella e raiz. Os Nutella não concordam com divergência, não gostam muito do processo democrático, mas gostam da imposição. O grupo que é PSL de verdade optou pela democracia. Não pode haver uma ditadura interna dentro do partido, que é o que se tentou fazer, inclusive com a troca do líder (referindo-se à retirada do Delegado Waldir (GO), que foi substituído por Eduardo Bolsonaro, eleito por São Paulo). Para o PSL raiz, seria uma bênção que alguns saíssem. Há pessoas fazendo campanha para outro partido dentro do PSL. O próprio líder, o deputado Eduardo Bolsonaro, faz campanha. Isso é uma indignidade. Se está descontente, vá embora. Dizem que o problema é a regra eleitoral e, sim, ela existe porque o país é uma democracia. Senão, vira ditadura. Não há que se falar em “onda Bolsonaro”. Eu tive mais de um milhão de votos. Os outros também tiveram seus votos. Nós ajudamos o presidente a se eleger.

Ficou algum ressentimento depois das mudanças? A senhora saiu da liderança do governo, houve desavenças com o Eduardo Bolsonaro…

A gente só tem ressentimento com quem tem sentimento. Nunca tive carinho ou amizade pelo Eduardo. Prezo pelo diálogo e descobri muito cedo que ele não cumpre a palavra. Não consigo respeitar alguém que não cumpre a palavra. Aliás, essa questão de não cumprir palavra é uma marca deles (referindo-se aos filhos de Bolsonaro).

Isso recai sobre o presidente?

Com o presidente eu não fiquei ressentida, fiquei triste. Ele afastou todas as pessoas que realmente gostavam dele, quem trabalhava pelo Brasil de verdade, pessoas que largaram suas vidas para fazer campanhas para ele. Todo mundo que se dedicou foi limado. Especialmente os que tinham capacidade de discordar. Não nasci Bolsonaro. Quando comecei a apoiar essa ideia, ele foi à minha casa, pediu para eu entrar no partido dele. Não existe uma dependência, não tenho cordão umbilical com ele.

O posicionamento de olhar para frente envolve a disputa pela prefeitura de São Paulo?

O projeto inicial do partido é “Joice prefeita de São Paulo”. Mas há uma série de pleitos legítimos para fazer prefeitos, governadores e, quiçá, um presidente da República em 2022. A gente precisa entregar ao Brasil o que prometemos: um presidente liberal, com diálogo, que ouvisse todos, ainda que discorde de alguns; e não foi bem isso que a gente entregou. Houve um curto-circuito do que prometemos e do que entregamos. Espero que a coisa se corrija nos próximos três anos.

O PSL tem mais dinheiro em caixa. Vai receber R$ 1 bilhão de Fundo Partidário e Fundo Eleitoral. Na eleição passada, vocês tinham o orçamento mais enxuto…

Foi enxutíssimo. Minha campanha e a do Major Olímpio (senador do PSL de São Paulo) foram as mais baratas do Brasil. Pouco dinheiro, coisa de centavinho. Pensava: gente, se eu com R$ 100 mil faço uma campanha forte, imagina esse povo com R$ 2 milhões, R$ 3 milhões. Gastei R$ 100 mil do Fundo Partidário, mas teve gente que doou trabalho e eu coloquei um pouquinho de dinheiro, mas nem precisei usar.

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