Carnaval
Acadêmicos de Niterói estreia no Grupo Especial com enredo que homenageia o presidente Lula
Escola leva para a Sapucaí, em 2026, a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, da infância no Nordeste à liderança política nacional
Estreando no Grupo Especial do carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói vai apresentar, em 2026, um enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado “Do alto do mundo, surge a esperança. Lula, o operário do Brasil”, o desfile narra a trajetória do líder político desde a infância no interior de Pernambuco até a chegada à Presidência da República.
A narrativa parte da imagem simbólica de um menino que observava o mundo do alto de um pé de mulungu, árvore comum no agreste nordestino. A partir daí, o enredo atravessa momentos marcantes da vida de Lula, como a migração para São Paulo, o trabalho como operário, a atuação sindical, a entrada na política e a criação de programas sociais como Bolsa Família, Fome Zero e ProUni, sempre conectando a história individual às questões sociais do país.
Fundada em 2018, a Acadêmicos de Niterói desfila com as cores azul e branco e tem como símbolo a lira. Para a estreia na elite do carnaval, a escola manteve o carnavalesco Thiago Martins, que assina o desfile pelo terceiro ano consecutivo e foi o responsável por conduzir a agremiação até o Grupo Especial. A escola também contratou o intérprete Emerson Dias e o mestre de bateria Branco Ribeiro.
Thiago Martins explicou que o enredo resgata o universo simbólico da infância no Nordeste, marcado tanto pela escassez quanto pela imaginação. Segundo ele, muitas histórias populares surgiam como forma de lidar com a dureza da realidade.
“As crianças lá não tinham medo da fome, porque elas não conheciam a palavra fome. Mas tinham medo da Cabra Cabriola, do Bicho Papão, do Lobisomem. Quando uma criança morria, a mãe dizia que o Velho do Saco levou, que o Bicho Papão levou. A gente traz esse mundo fantástico da criança”, afirmou.
O carnavalesco também destacou o uso do pé de mulungu como elemento central da narrativa.
“A árvore existia na casa dele e era usada como brinquedo. Eles subiam porque não tinham brinquedo. Pedrinhas viravam bola de gude, milho virava boneca. E a árvore que o Lula subia fazia ele se sentir um rei”, contou.
Durante o processo de criação, a escola teve a oportunidade de apresentar o enredo ao próprio homenageado. De acordo com Thiago Martins, Lula optou por não interferir no desenvolvimento artístico do desfile.
“A gente perguntou se ele queria mudar alguma coisa, se queria pontuar algo, e ele falou: ‘Não quero que mude nada. Quero que vocês contem essa história’. Para mim, como carnavalesco, isso é muito bom, porque posso criar, desenvolver e carnavalizar essa história dentro da Sapucaí”, disse.
A Acadêmicos de Niterói será a primeira escola a desfilar no domingo de carnaval, dia 15 de fevereiro. Campeã da Série Ouro no ano passado com um enredo sobre festas juninas, a agremiação tem como principal objetivo se manter na elite do carnaval carioca.