Acadêmicos de Vigário Geral transforma "monstros" em heróis e desafia narrativa colonial na Sapucaí 2026 - Super Rádio Tupi
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Carnaval

Acadêmicos de Vigário Geral transforma “monstros” em heróis e desafia narrativa colonial na Sapucaí 2026

Com estética de cordel e seres místicos, escola encerra a primeira noite da Série Ouro em 2026 celebrando o imaginário do Brasil profundo.
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A Acadêmicos de Vigário Geral já definiu o seu caminho para o Carnaval de 2026. Com o enredo “Brasil Incógnito: o que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, a agremiação levará para a avenida uma reflexão profunda sobre como a geografia, a fauna e a flora brasileiras foram misticamente transformadas em cenários aterrorizantes pelo olhar do colonizador.

A proposta, assinada pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, pretende contar a história do país sob a ótica das criaturas extraordinárias que habitam o imaginário coletivo, retirando-as do papel de vilãs para torná-las protagonistas.

A desconstrução do olhar invasor

Segundo Caio Cidrini, o enredo funciona como uma viagem pela cartografia fantástica e mitológica brasileira elaborada por aqueles que se autodenominaram descobridores, mas que, na prática, agiram como invasores.

“Para justificar a violência dele, para justificar a ambição dele, para justificar inclusive os investimentos das coroas europeias nessas empreitadas de vilipêndio das terras que foram ‘descobertas’, cria seres, monstros, cidades perdidas, cidades fantásticas… enfim, uma série de elementos que eles se baseiam para poder dominar o outro”, explica Cidrini.

Setorização e estética do desfile

O visual da escola será dividido em três grandes momentos que acompanham a evolução narrativa do enredo. Alex Carvalho detalha que a abertura terá uma “estética marítima”, representando a chegada do invasor com uma vela que se transforma em um mapa de pergaminho, cercado por seres marinhos místicos.

O segundo momento explorará o “Brasil misterioso”, focado na fauna e flora, utilizando muito verde e figuras de serpentes e borboletas. O encerramento promete um mergulho no Brasil profundo e sertanejo.

“Primeiro a gente começa com uma estética marítima. A chegada desse dito descobridor, mas na verdade a gente coloca ele como um grande palhaço, um invasor… Depois a gente parte para um Brasil misterioso com a sua fauna e flora. Então nós temos serpentes, borboletas… muito verde, bem misterioso mas colorido também. E no final a gente parte para um Brasil mais profundo, sertanejo, onde a gente traz uma estética cordelista, muito preto e branco, e trazemos uma grande figura de um Cramulhão que, na verdade, é o nosso herói”, revela Carvalho.

Rumo ao Carnaval 2026

Com as cores azul, vermelho e branco — inspiradas na madrinha União da Ilha —, a Acadêmicos de Vigário Geral mantém para este ciclo o intérprete Danilo Cezar e o comando da bateria com Mestre Luygui. A escola será a responsável por fechar a primeira noite de desfiles da Série Ouro, na sexta-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro.