Rio
Acidente aéreo no Rio: Anac investiga se helicópteros faziam táxi ilegal
Anac já havia multado dono de helicóptero investigado por transporte remunerado sem certificação
A colisão entre dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que matou seis pessoas no domingo, desencadeou uma investigação sobre o uso irregular de aeronaves para transporte remunerado de passageiros. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que há denúncia de que o helicóptero de prefixo PP-MAC operava como táxi aéreo sem a certificação necessária para isso.
Multa e irregularidades antes do acidente
O proprietário do PP-MAC, o empresário Oswaldo de Luca Filho, já havia sido multado pela Anac em julho de 2025 por se recusar a apresentar documentos durante uma fiscalização. Por ser a primeira penalidade registrada, o valor aplicado foi o mínimo previsto: R$ 8 mil. Além disso, circulam relatos de possíveis irregularidades operacionais na aeronave, como manutenção vencida e inconsistências no diário de bordo.
Tanto o PP-MAC quanto o PR-DJJ — o outro helicóptero envolvido — tinham documentação regular e autorização apenas para aviação privada, modalidade restrita ao uso dos proprietários e convidados, sem remuneração. Se o transporte pago for confirmado, a operação será enquadrada como táxi aéreo clandestino. O piloto Charles Marsillac, que comandava o PR-DJJ, também morreu no acidente.
Vítimas tinham nacionalidades diferentes
O PP-MAC era pilotado por Alexandre de Souza e levava quatro passageiros: o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree, o youtuber e comediante argentino Gaspar Prim Díaz, o produtor musical brasileiro Lucas Frota, de 26 anos, e o diretor argentino de videoclipes Lucas Vignale. Todos morreram. O aparelho havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá com destino a Angra dos Reis. O outro helicóptero partiu do Aeroporto Santos Dumont em direção à área de Guaratiba.
As circunstâncias que levaram os dois ao mesmo ponto do espaço aéreo ainda estão sendo investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Até a segunda-feira, cinco corpos tinham sido identificados pelo Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto. O reconhecimento oficial de Oliver Tree ainda aguardava conclusão, com acompanhamento da Embaixada dos Estados Unidos.
Repercussão internacional e trajetória das vítimas
A morte do cantor americano foi amplamente noticiada no exterior. Veículos como TMZ, Page Six, Variety, The Guardian e outras publicações europeias cobriram o acidente e o início das investigações. Oliver Tree estava no Brasil após se apresentar em São Paulo no dia 6 de junho, como parte de uma turnê pela América Latina que passou por México, Argentina e Chile.
Lucas Vignale foi identificado por DNA, com amostras fornecidas pelo pai e pelo irmão. Os procedimentos para o traslado ao país natal já foram iniciados e o sepultamento deve ocorrer no Cemitério de La Chacarita, em Buenos Aires. Já Lucas Frota foi velado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju. Ele havia ganhado visibilidade na música eletrônica com uma apresentação gravada no Cristo Redentor em dezembro do ano passado e era enteado do desembargador Elton Martinez Leme, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Com informações do Correio Braziliense





