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Acidentes com motos por aplicativo preocupam médicos e sobrecarregam hospitais

Com aumento do uso do transporte por motocicleta, especialistas alertam para crescimento de feridos graves, sequelas permanentes e alto custo para o sistema público de saúde

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Andar de moto pode ser uma curtição, mas é necessário tomar as devidas precauções. Em julho de 2022 um motociclista foi salvo pelo capacete durante um acidente em Minas Gerais. Ele foi atingido por um ônibus e foi parar embaixo do veículo. A cabeça ficou sob a roda.

A cada ano, a popularização dos serviços de transporte de motos por aplicativo tem aumentado, com as motos se mostrando opções interessantes para os usuários, graças ao menor tempo de viagem e pelo preço, que geralmente é mais barato que o cobrado por carros.

No entanto, o número crescente de acidentes de motocicletas, que pode estar relacionado ao aumento da circulação desses veículos nas ruas, tem causado preocupação na classe médica.

Além de perder dias de trabalho, as vítimas desses acidentes podem ter sequelas permanentes, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Segundo a pesquisa do órgão, que ouviu 95 chefes e preceptores de serviços de residência em ortopedia, unidades médicas receberam, em média, 360 vítimas do trânsito por mês. 

Isso significa dizer que mais de 10 pacientes feridos nesses incidentes foram hospitalizados por dia, com dois terços dos internados sendo motociclistas. 

Outros dados também confirmam que um terço das vítimas de acidentes de trânsito com motocicletas atendidas nos principais serviços do país passa a sofrer com sequelas permanentes desses incidentes.

Entrevistado pela Super Rádio Tupi, o médico ortopedista Rodrigo Caes ressaltou a preocupação com o aumento de acidentes de moto, dizendo que existe uma preocupação muito grande com o aumento.

“As principais lesões que a gente vê no fronte, são os atendimentos da região musculoesquelética. São fraturas às vezes expostas, posição com um risco de cirurgia iminente, lesões ligamentares, lesões de punho, pessoas que caem e têm que se apoiar porque é uma exposição muito grande, diferente do carro.” – explicou o médico, que disse que uma pessoa que anda de moto tem 20 vezes mais chance de morrer comparado com quem utiliza veículos como carro. 

Rodrigo abordou também os impactos que o número alto de atendimentos gera na saúde, estimando que são 150 milhões de reais gastos no sistema público de saúde. 

“É um impacto muito grande, quando a gente fala de internação associada, isso vai para 250 milhões. Então o impacto é gigantesco. Isso poderia, com certeza, ser reduzido com uma melhor utilização dos condutores de moto e o respeito às leis de trânsito.” – disse o médico.

A cabeleireira Viviane Portela, que sofreu um acidente de moto em setembro do ano passado, enquanto estava em uma moto de aplicativo, afirma ter recorrido à justiça, mas ainda não recebeu solução. 

“Estou aí, tentando ser ressarcida na justiça desse prejuízo. Eu fiquei 16 dias parada, sem poder trabalhar, perdendo dinheiro. Mas a gente só tem prejuízo. Desde então, tomei pânico e não pego nem mais, porque não tenho segurança nenhuma.” – contou a profissional capilar para a Super Rádio Tupi, que além de perder dias de trabalho, lida com as sequelas. 

Por conta disso, os ortopedistas fazem um apelo aos motociclistas por aplicativo, principalmente devido ao uso do celular durante o trajeto, conferindo propostas de novas corridas e avaliando caminhos até o destino. 

Segundo o Ministério da Saúde, acidentes de moto representam hoje 40% das mortes no trânsito e 60% das internações no SUS atualmente, com a maior parte das vítimas sendo de jovens entre 20 e 39 anos.

Os acidentes com motocicletas também causam preocupação nas autoridades de saúde do Rio, com o maior exemplo sendo do Hospital Geral de Nova Iguaçu, na posse, que bateu recorde de atendimentos deste tipo de ocorrência.