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Acidentes com veículos elétricos disparam no Rio e expõem falta de fiscalização

Com aumento de acidentes e novas regras em vigor, especialistas e autoridades cobram fiscalização mais rígida e melhorias na malha cicloviária
FOTO : Tomaz Silva/Agência Brasil

O crescimento do uso de veículos elétricos nas ruas do Rio de Janeiro tem acendido um alerta sobre segurança, fiscalização e infraestrutura. Desde o dia 1º de janeiro, estão em vigor novas regras do Conselho Nacional de Trânsito que diferenciam bicicletas elétricas, ciclomotores e equipamentos autopropelidos, como patinetes.

Pelas normas, bicicletas elétricas com pedal assistido não exigem habilitação, emplacamento ou licenciamento e podem circular em ciclovias e áreas compartilhadas. Já os ciclomotores precisam de registro, placa e habilitação, além do uso obrigatório de capacete, e não podem trafegar em ciclovias. Os patinetes e equipamentos similares têm limites de velocidade que variam conforme o local de circulação.

Apesar da regulamentação nacional, a aplicação das regras ainda enfrenta entraves no município do Rio. Uma lei prevê multa, mas não define claramente quem deve fiscalizar. Diante desse cenário, a prefeitura promete endurecer as normas.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, afirmou que um novo decreto está em elaboração para reforçar o controle sobre esses veículos.

“É claro que a gente vai precisar de novas regras, mais duras, mais restritivas e que, muito especialmente, determinem onde que esses veículos podem andar e onde que eles não podem andar. Não é razoável. A gente está preparando um decreto que deixe bem claro onde que esses veículos podem se deslocar e qual é a velocidade”, disse.

O debate ganhou força após acidentes graves e acompanha o aumento expressivo das ocorrências. Dados apontam que os registros saltaram de 274, em 2023, para mais de 2.100 em 2024 um crescimento superior a 600%. Em 2025, foram 179 casos de colisão, e, até março de 2026, já são 42.

Além da fiscalização, especialistas apontam a falta de infraestrutura como um dos principais problemas. A malha cicloviária da cidade ainda é considerada insuficiente para absorver o aumento desses modais.

Para o urbanista Felipe Ungaro Marino, o sistema atual não acompanha a nova realidade.

“A infraestrutura das cidades hoje não dá conta dessa dinâmica. As ciclovias não são uma estrutura robusta nas cidades brasileiras. Esses micromodais acabam disputando espaço e isso aumenta o risco. Além disso, falta sinalização e conscientização no trânsito”, explicou.

Os impactos também são sentidos na saúde pública. De acordo com o ortopedista Rodrigo Castro, o aumento da velocidade eleva significativamente a gravidade dos acidentes.

“Quando a gente vai aumentando a velocidade, a gente aumenta a característica das lesões. Mesmo com limite de 32 km/h, já é um padrão de impacto muito alto, com grande chance de sequelas”, afirmou.

O médico também alerta para os custos gerados ao sistema de saúde.

“Um único paciente grave pode gerar custo de 30 a 150 mil reais com internação e cirurgia. Isso se torna mais dramático no Sistema Único de Saúde”, completou.

Entre as lesões mais comuns estão fraturas em braços e pernas, além de traumatismos cranianos, especialmente em casos sem uso de capacete.

Diante do cenário, especialistas defendem que o avanço dos veículos elétricos seja acompanhado por regras mais claras, investimentos em infraestrutura e campanhas de conscientização, para garantir a segurança de usuários e pedestres.