Rio
Cães farejadores ajudam polícia a localizar quase 50 toneladas de maconha no Complexo da Maré
Batalhão de Ações com Cães explica treinamento, atuação e aposentadoria dos animais que são referência no Brasil e no exterior
Grandes apreensões de drogas, como a registrada nesta semana no Complexo da Maré, onde a Polícia Militar localizou quase 50 toneladas de maconha, contam com um reforço especial: o trabalho dos cães farejadores do Batalhão de Ações com Cães (BAC), unidade especializada que atua em diversas frentes da segurança pública.
Criado em 1955, o batalhão começou com cerca de 40 animais e, atualmente, reúne aproximadamente 80 cães distribuídos em unidades por todo o estado do Rio de Janeiro. Os animais são empregados em operações de busca, resgate, localização de drogas, armas, explosivos e até restos mortais, além de atuarem na captura de criminosos.
As raças mais utilizadas incluem Labrador, Pastor Alemão, Rottweiler e Golden Retriever, além do Pastor Belga Malinois, como o cão Hulk, que participou da recente grande apreensão na Maré.
Seleção começa ainda filhote
O comandante do batalhão, Tenente-Coronel Luciano Pedro, explica que o processo de seleção dos cães começa logo nos primeiros dias de vida.
“Desde que ele nasce, a gente já começa um pré-treinamento. A gente observa o comportamento do filhote. Aquele que demonstra mais iniciativa, como tentar chegar primeiro para mamar, já apresenta sinais de predisposição para a atividade policial.”
Cães não têm contato direto com drogas
Uma das principais dúvidas da população é sobre o contato dos cães com entorpecentes. Segundo o comandante, os animais não tocam nem consomem drogas em nenhum momento.
“O cão não tem contato com a droga. Muita gente acha que a gente vicia o cão, e isso não existe. Ele tem um poder olfativo cerca de 100 mil vezes maior que o ser humano e consegue identificar partículas de odor no ambiente.”
O treinamento é feito com substâncias armazenadas de forma segura, apenas para que o animal reconheça o cheiro. A motivação do cão, na verdade, é uma recompensa simples: uma bolinha de tênis.
“Ele não está atrás da droga. Ele está procurando uma bolinha de tênis. Quando encontra o odor, ele associa ao prêmio e recebe a bolinha.”
Aposentadoria e adoção
Após anos de ծառայço, os cães também têm direito à aposentadoria. Em média, aos oito anos, eles deixam as atividades operacionais.
“Com quatro ou cinco anos, o cão já é experiente. Aos oito, ele é aposentado. Normalmente, o policial que cuida dele leva para casa. Também existe a possibilidade de doação, mas fazemos uma avaliação para garantir que ele será bem cuidado.”
Atuação vai além das operações policiais
Além das apreensões, os cães do BAC também são utilizados no policiamento de grandes eventos, como jogos de futebol e manifestações. O batalhão é considerado referência no treinamento de animais para ações policiais, ministrando cursos para corporações de outros estados e até de países da América Latina e da Europa.
O trabalho conjunto entre policiais e cães segue sendo um dos principais aliados no combate ao crime e na proteção da população.