Rio
Caso Henry Borel: Defesa de Jairinho abandona júri e julgamento é adiado
Sessão foi interrompida após defesa de Jairinho deixar plenário; Monique Medeiros teve a prisão relaxada e irá aguardar em liberdade
O julgamento do caso Henry Borel foi adiado após os advogados de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, abandonarem o plenário durante a primeira sessão na manhã desta segunda-feira (23). Monique Medeiros, a outra ré no caso, teve a prisão relaxada.
A sessão havia começado às 10h35 com o sorteio dos jurados, seis mulheres e um homem, e a leitura da denúncia pela juíza Elizabeth Machado Louro. Foi nesse momento que a defesa de Jairinho pediu o adiamento do processo, alegando dificuldades no acesso às provas. A magistrada negou o pedido e os advogados deixaram o plenário em seguida.
Juíza condena banca por abandono processual
Elizabeth Machado Louro classificou a atitude dos defensores como uma afronta à Justiça. “Tenho que a conduta dos advogados, ainda que motivada por inconformismo, molda-se muito mais ao que é um abandono processual”, afirmou, declarando o ato “atentatório contra a dignidade da Justiça”.
A juíza determinou que a defesa de Jairinho arque com todos os custos gerados pela sessão desta segunda, entre eles despesas com deslocamento de servidores, hospedagem dos jurados e alimentação dos envolvidos.
Elizabeth Machado Louro ainda encaminhou o caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pedindo que a entidade avalie a aplicação de “sanções ético-disciplinares” contra os advogados que abandonaram o plenário.
Defesa de Jairinho alega falta de acesso integral às provas
A defesa de Jairinho afirmou que não concordou com a realização do julgamento por falta de acesso completo às provas. Em nota, declarou que “não compactuou com a realização da sessão de julgamento de hoje” e que a “ausência de acesso da banca defensiva à integralidade das provas constantes nos autos” inviabilizaria “a realização de um julgamento justo e imparcial”.
Os advogados também alegaram que, apesar de pedidos aceitos pela Justiça, parte do material não foi entregue ou não houve tempo para análise, citando dados liberados poucos dias antes da sessão. Segundo a defesa, “nem todas as provas requeridas foram disponibilizadas” e, em alguns casos, “não houve tempo hábil para a análise”, o que, segundo orientação da OAB, poderia até configurar “infração ética por prestação inadequada do serviço profissional”.