Rio

‘Cerol Mata’: Campanha busca conscientizar sobre uso de linhas cortantes

Ação, inicialmente criada para proteger motociclistas, influencia projetos de lei em tramitação na Alerj

Por Beatriz Silva

Ação, inicialmente criada para proteger motociclistas, influencia projetos de lei em tramitação na Alerj
(Foto: Reprodução)

Soltar a linha, empinar a pipa, observar o vento fazer malabarismos com o brinquedo, competir com o adversário. A brincadeira milenar, aparentemente inofensiva, pode se tornar muito perigosa se aliada ao uso das linhas de cerol, feita de vidro moído com cola, e chilena, quatro vezes mais destrutiva, composta por quartzo moído e óxido de alumínio.

Foi pensando nos riscos que essas linhas cortantes podem oferecer aos amantes de duas rodas que o motociclista Léo Ferreira criou, há quase cinco anos, no Rio de Janeiro, a campanha “Cerol Mata”. A ação, que começou com o objetivo de proteger a categoria, hoje conscientiza toda a população brasileira, além de influenciar leis e abraçar as vítimas do cerol e da linha chilena.

A costureira Kelly Cristina da Silva Soares estava presente em uma ‘motociata’ promovida pela campanha “Cerol Mata”, na Praia de Copacabana, no dia 28 de julho. Há três anos, ela convive com a dor da perda do filho Kevin Pedro da Silva, que tinha apenas 23 anos, quando foi atingido no pescoço por uma linha de cerol em uma importante via do Rio de Janeiro.

Um dos coordenadores da campanha, o bombeiro e motociclista Olégliêr de Andrade afirma que a ação vem lutando para conseguir dados precisos de vítimas das linhas de cerol e chilena já que, nos registros da Polícia Civil, não há essa especificação.

O caso da menina Eloah de Oliveira de Macedo, de apenas 8 anos, causou muita comoção. Ela teve a perna direita amputada após ter sido atingida por uma linha chilena, em março deste ano, ao soltar a mão da mãe, para correr em uma passarela na Avenida Brasil, no trecho de Realengo, Zona Oeste do Rio. A mãe de Eloah, Vanessa Oliveira de Souza, conta que a vida da garota mudou muito após o acidente. Ela também afirma que foi ajudada por motociclistas da campanha “Cerol Mata”.

Em julho deste ano, foi sancionada pelo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), a lei de autoria do deputado Marcio Gualberto (PSL) que altera a medida que proibiu a venda e o uso do cerol e da linha chilena no estado. A nova proposta, influenciada por motociclistas, veda a utilização de qualquer produto na prática de soltar pipa que possua elementos ou substâncias cortantes, e aplica multa no valor de R$ 342,11 em quem for flagrado portando ou usando qualquer uma das substâncias. Já quem for pego fabricando ou vendendo este tipo de material, pode ser multado em até R$3.400. Para Gualberto, o propósito da lei é conscientizar.

No dia 14 de dezembro, integrantes da iniciativa “Cerol Mata” vão realizar uma ‘motociata’ a nível nacional. Eles pedem que as linhas de cerol e chilena sejam criminalizadas no Brasil. Ainda não há um local definido no Rio de Janeiro. A mensagem final fica por conta da pequena Eloah, que com apenas oito anos, teve a vida transformada após um ato inconsequente.

Abaixo, escute na íntegra a matéria veiculada na última sexta-feira, no RADAR TUPI:

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