Rio
Clínica de estética é investigada por realizar cirurgias plásticas sem autorização em Nova Iguaçu
Paciente paga por hidrolifting, recebe enxerto de gordura nos glúteos e desmaia 3 vezes durante aplicação feita por estudante sem registro profissional
Uma clínica de estética que realizava cirurgias plásticas sem autorização legal virou alvo de uma ação da Polícia Civil nesta quinta-feira. O estabelecimento fica localizado no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e é investigado pela 52ª DP da região.
O caso começou a ser apurado no início de outubro, a partir de uma denúncia sobre a atuação irregular do espaço. Durante a primeira fiscalização no local, agentes apreenderam 16 frascos de uma substância sedativa de uso controlado.
O que disseram as vítimas sobre os procedimentos?
Uma das clientes atendidas relatou que contratou uma técnica chamada de “hidrolifting”, mas acabou submetida a uma lipoaspiração abdominal com enxerto da gordura nas nádegas. A mulher afirmou que o procedimento foi executado por uma pessoa que sequer havia terminado a graduação, além de relatar que perdeu a consciência por três vezes sob o efeito de sedativos durante o atendimento.
A mesma paciente também apresentou complicações de saúde depois de outra intervenção na clínica, sofrendo com dores fortes e o surgimento de caroços. Um exame de corpo de delito atestou a presença de lesões corporais decorrentes das aplicações.
Mensagens em redes sociais e conversas entre frequentadoras do local reforçaram o padrão de queixas sobre dores extremas durante as sessões estéticas.
A investigação descobriu indícios de fraude no registro profissional do estabelecimento. O homem apontado como responsável técnico declarou aos investigadores que nunca permitiu o uso de seus dados ou do seu carimbo profissional nas atividades da clínica.
Os policiais apuram a ocorrência de crimes como exercício ilegal da medicina, falsificação de documentos, lesão corporal, colocação da saúde de terceiros em perigo e infrações contra as relações de consumo. Os trabalhos continuam para localizar novos relatos de clientes lesadas e apontar os responsáveis diretos pelas práticas ilegais.