Rio
Contradição de versões leva policiais da CORE a júri por morte no Jacarezinho
Testemunhas e laudo contestam versão de legítima defesa; MP investiga fraude em laudo
Dois agentes da Polícia Civil que atuaram na incursão do Jacarezinho, em maio de 2021, serão julgados por um júri popular. A sentença de pronúncia da Justiça do Rio atinge Douglas de Lucena Peixoto Siqueira, acusado de homicídio e abuso de autoridade, e Anderson Silveira Pereira, que responderá pelo crime de abuso de autoridade.
A decisão foi tomada após o juiz do caso identificar divergências entre a versão oficial e as provas coletadas. Enquanto os policiais sustentam que agiram em legítima defesa contra um suspeito armado, o laudo pericial revelou que Omar Pereira foi baleado à queima-roupa.
Provas contestam legítima defesa
Exames apontam que a vítima estava sozinha em um quarto, ferida no pé e sem armas ou granadas no momento dos disparos. Testemunhas também afirmaram que Omar não resistiu aos agentes da Core.
O juiz destacou contradições no caso e decidiu que os policiais devem ser julgados pelo Conselho de Sentença. Este é o último processo criminal no Rio sobre mortes de civis naquela operação, a mais letal da história do estado.
MP investiga possível fraude
O Ministério Público apura indícios de falsidade ideológica e fraude processual em um laudo complementar da Delegacia de Homicídios. Segundo os promotores, o documento teria sido usado para confrontar relatos de testemunhas.
A suspeita envolve uma incompatibilidade de horários: o laudo aparece finalizado às 17h42, antes da requisição oficial, registrada às 17h58. O caso é analisado pelo Gaesp.