Rio
Delegado diz que laudo desmontou versão de acidente na morte de Henry Borel
A investigação detalha a morte de Henry Borel e a trama de mentiras do casalA investigação sobre a morte de Henry Borel ganhou um novo rumo após os exames periciais do IML contradizerem a versão inicial de acidente doméstico. O delegado Edson Henrique, policial civil há 18 anos, afirmou que as lesões identificadas no corpo do menino eram incompatíveis com uma queda da cama e apontavam ferimentos graves na cabeça, no fígado e diversas equimoses.
O caso chegou inicialmente à 16ª DP da Barra da Tijuca como um suposto acidente doméstico. Por isso, as primeiras diligências ficaram sob responsabilidade da unidade da Barra, antes do envolvimento da Delegacia de Homicídios. Segundo o delegado, o apartamento onde Henry estava chegou a ser limpo pela empregada da família antes da realização da perícia.
De acordo com Edson Henrique, o laudo de necropsia, assinado por oito peritos, foi decisivo para a mudança de rumo da investigação. Os peritos concluíram que os ferimentos eram incompatíveis com acidente doméstico e compatíveis com homicídio.

Depoimentos e contradições
Em depoimento, Monique Medeiros afirmou que Henry chegou em casa passando mal, mas sem apresentar lesões aparentes. Segundo ela, o menino dormiu no quarto do casal e foi encontrado desacordado durante a madrugada.
Já Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, declarou à polícia que mantinha uma relação “perfeita” com o enteado. O vereador também afirmou que não realizou manobras de ressuscitação porque só havia treinado o procedimento em bonecos durante a faculdade de medicina.
O delegado afirmou que os depoimentos apresentavam inconsistências e que a investigação passou a considerar a hipótese de agressões anteriores à morte da criança.
Conversas e mensagens analisadas
A polícia apreendeu celulares de pessoas ligadas ao caso, incluindo os aparelhos de Monique, Jairinho e familiares. Segundo o delegado, mensagens recuperadas apontaram episódios anteriores de agressão.
Em conversas atribuídas à babá Tainá, Henry teria sido deixado trancado em um quarto com Jairinho em fevereiro de 2021. Após o episódio, o menino teria saído mancando e reclamando de dores. A funcionária também afirmou posteriormente que apagou mensagens do celular após pedido de Monique.
Segundo o delegado, em uma chamada de vídeo feita naquele período, Henry chegou a dizer para a mãe frases como “o tio bateu” e “o tio machucou”.

Investigação segue baseada em perícias
A Polícia Civil informou que não havia câmeras no interior do apartamento. Por isso, a investigação foi baseada em laudos periciais, análise de mensagens, depoimentos e provas técnicas.
Edson Henrique afirmou ainda que havia apenas três pessoas no apartamento no momento em que Henry sofreu as lesões fatais: Jairinho, Monique e a criança.
Jairinho e Monique respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. O caso segue em julgamento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.